quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eucaristia Presença de Jesus Cristo

"A Eucaristia é o sacramento em que, sob as espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está verdadeiramente real e substancialmente presente, com Seu Corpo, Seu Sangue, a Sua Alma e a Sua Divindade, para o nosso alimento espiritual. É por isso o mais sublime de todos os sacramentos, aquele de onde emanam e para onde convergem todos os outros, o centro da vida litúrgica, expressão e alimento da vida cristã" (CIC 1324 e 1326).

A Presença real do Corpo e Sangue de Cristo no nosso interior realiza um grande milagre, porque, ao invés de acontecer o processo natural do pão que é transformado em nós, acontece exatamente o contrário, somos nós que nos transformamos nesse pão, que é o próprio Jesus. A Eucaristia foi instituída por Jesus na Ceia pascal, prescrita pela lei hebraica, que Ele celebrou com os apóstolos na noite do dia anterior à sua morte (Mt 26,26-28).

A Eucaristia é o próprio Corpo de Cristo e nós somos, pelo nosso batismo, seu corpo místico, ao ser este corpo apresentado ao Pai em sacrifício, nós também estamos sendo oferecidos, com Jesus, ao Pai em sacrifício por toda a humanidade.

Por sua grande riqueza vamos nos demorar um pouco mais na contemplação de tão grande mistério. Veremos o sacramento da Eucaristia em duas dimensões. A primeira na mesma dimensão do que se vinha falando de sacramento e, a Segunda sobre a Eucaristia como sacrifício. Ela é sacrifício porque é oferecida e sacramento enquanto recebida.

"A Eucaristia é fonte e ápice de toda a vida cristã. Ela é o próprio Cristo e por isso contém todo o bem espiritual da Igreja" (CAT 1324).
Na Eucaristia antecipamos a vida eterna onde Cristo é tudo em todos.
A palavra Eucaristia quer dizer em primeiro lugar ação de graças a Deus.
Neste sacramento, nas espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

O sacrifício de Melquisedec e o sacrifício do Cordeiro pascal são prefigurações da Eucaristia no Antigo Testamento.
Neste sacramento não se comunica uma graça, mas é o próprio Cristo que se dá a nós. Daí a sua supremacia sobre os outros sacramentos, além do que todos os outros visam um melhor recebimento da Eucaristia.
As Sagradas Escrituras deixam claro, como em nenhum outro sacramento, o momento da instituição da Eucaristia por Jesus. Os Evangelhos sinóticos relatam a última ceia e o momento preciso da instituição quando Jesus toma o pão e o vinho, os abençoa e entrega aos discípulos lhes dizendo que são o Seu Corpo e o Seu Sangue.

Para que este ato se perpetuasse e se atualizasse a cada dia o Senhor em sua bondade deu-nos sacerdotes da Nova Aliança. Após as palavras do sacerdote na consagração, que são as mesmas de Jesus, já está ali o próprio Cristo. Imenso mistério! Diante dos nossos olhos, o Deus Infinito faz-se pequeno em um simples pedaço de pão e em um pouco de vinho. O maior dos milagres!!!
Só o sacerdote pode consagrar o pão e o vinho, ele é o ministro da Eucaristia. Qualquer batizado em estado de graça pode receber, mesmo que seja criança.

Os frutos que a Eucaristia produzem em nós são grandiosos. Por este sacramento entramos em união íntima com Jesus. Essa é a maior graça. Por si mesma a Eucaristia produz o aumento da graça santificante, a alma vai sendo transformada em Cristo. Além disso, ao receber a Eucaristia recebemos a graça sacramental específica, ou seja, tudo o que o alimento produz com relação a vida do corpo, assim o faz a Eucaristia com relação a vida da alma. Este sacramento ainda nos traz o perdão dos pecados veniais, que enfraquecem a alma, e nos preserva dos pecados mortais. E cada comunhão fortalece a incorporação na Igreja, Corpo de Cristo, realizada no Batismo.

A presença real de Jesus Cristo na Eucaristia

Como no Céu está vivo e glorioso, de modo natural na Eucaristia está igualmente presente, mas de modo sacramental. Por isso, se diz que por concomitância, com o Corpo de Jesus está também o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade, e de igual modo, onde está o seu Sangue, está também o seu Corpo, a sua Alma e a sua Divindade. A fé na presença real, verdadeira e substancial de Cristo na Eucaristia assegura-nos pois, que ali está o mesmo Jesus que nasceu da Virgem Santíssima, que viveu ocultamente em Nazaré trinta anos, que pregou e se preocupou com todos os homens durante a vida pública, morreu na cruz e, depois de ter ressuscitado e subido aos Céus, está sentado à direita do Pai.

Cristo está em todas as hóstias consagradas e em cada partícula delas: A presença real de Cristo na Eucaristia é um dos principais dogmas de nossa fé católica. Sendo verdade de fé que ultrapassa completamente a ordem natural, a razão humana não a consegue demonstrar por si.
A verdade da Presença real e substancial de Jesus na Eucaristia foi por Ele próprio revelada durante o discurso que pronunciou em Cafarnaum (Jo 6,51-56).

O modo da presença real

A presença real de Cristo na Eucaristia é um mistério que a razão não é capaz de alcançar. Porém, o Magistério da Igreja ensina-nos que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia se produz uma singular e maravilhosa conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho no seu Sangue, conversão em que a Igreja Católica denomina de transubstanciação (Concílio de Trento).

A transubstanciação acontece em virtude da onipotência divina, no momento em que o sacerdote pronuncia sobre a matéria (pão e vinho) as palavras de forma (palavras da consagração) de maneira que, depois de terminar, já não existem nem a substância do pão nem a substância do vinho (só os seus acidentes ou aparências externas). (CAT 1373 a 1377).

O Senhor Jesus está presente no meio dos fiéis quando estes se reúnem em seu nome (Mt 18,20); está também presente na pregação da Palavra de Deus, pois, quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é Ele quem fala; igualmente está presente nos Sacramentos, visto que estes são ações de Cristo. No entanto, a presença de Jesus na Eucaristia é de outra ordem; denomina-se "real" para mostrar que é diferente desses outros modos acima mencionados. Chama-se real não por exclusão, como se as outras presenças de Cristo (na oração, Palavra e nos outros Sacramentos) não fossem reais, mas sim porque se trata de uma presença substancial: por ela se torna presente Cristo, Deus e Homem, inteiro e íntegro. Portanto, é entender mal este modo de presença, imaginá-la à maneira espiritual, como se fosse corpo glorioso de Cristo em toda parte presente, ou se reduzisse a mero simbolismo.

Debaixo das espécies sacramentais, e de cada uma de suas partículas quando se fracionam, está contido Jesus Cristo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Como Cristo está presente na Hóstia consagrada por transubstanciação do pão e do vinho onde e quer que houvesse substância de pão (ou vinho) há agora a substância do Corpo e do Sangue de Cristo. Jesus Cristo está presente ao modo da substância que está toda inteira em cada parte do lugar. (Ex.a substância da água encontra-se toda inteira tanto numa gota como no oceano; a substância do pão está presente tanto numa migalha de pão como no pão inteiro) por isso, quando se divide a Hóstia, está todo o Cristo em cada fragmento dela.

Sob a espécie do pão não está apenas o corpo de Cristo, nem unicamente o seu Sangue sob as aparências do vinho: em cada uma das espécies encontra-se Cristo inteiro. Onde está o Corpo, está, por, concomitância, o Sangue, a Alma e a Divindade; onde está o Sangue igualmente por concomitância se encontra o Corpo, a Alma e a Divindade. Jesus está presente na eucaristia com a natureza humana (Corpo, Sangue e Alma) e com a natureza divina (Divindade). A Alma e a Divindade estão ali presentes devido a união hipostática que se dá na pessoa de Cristo entre a sua natureza humana e a sua natureza divina. "O Corpo e o sangue estão por meio da conversão, e a Alma e a Divindade por real concomitância (S.Tomás).
Louvemos e adoremos Aquele que É! Deveríamos correr aos sacrários e lotar as missas, já que cremos que é o Cristo o mesmo que viveu em Nazaré há 2000 anos, o que nasceu da Virgem Maria.

Santo Afonso nos diz que precisamos ter disposições convenientes para comungar e nos cita estas: Estar em estado de graça, querer ser santo, desejar crescer no amor a Jesus, fazer meditação freqüente, mortificar os sentidos e as paixões, fazer a ação de graças após a comunhão e querer ser de Deus.

Se desejamos crescer na vida espiritual, precisamos nos aproximar assiduamente, com o coração preparado devidamente, da mesa do Senhor. Devemos ter a consciência bem formada quanto à importância fundamental que tem a celebração eucarística (missa) em nossas vidas, porque por ela recebemos o pão da vida pela Palavra divina e pela Eucaristia.
Também devemos alimentar em nós um desejo ardente de adorarmos o Santíssimo Sacramento em todas as oportunidades que surgirem e que devemos promover em nossas vidas, pois estaremos diante do Deus vivo que muito nos ama. É algo maravilhoso que podem testemunhar todas as pessoas que dele se aproximam.
Podemos conversar com Ele, dar-nos a Ele. Aproveitemos a comunhão para aprofundar nossa amizade, com tão doce Amigo que sempre vem nos visitar mesmo se a casa está um pouco desarrumada. Ele deseja a nossa presença, por isso vem nos transformar n'Ele nos dando da Sua vida.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João comtemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a comtemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloqüente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

A Celebração

Hoje não se celebra a missa em todo o mundo. O altar é iluminado sem mantel, sem cruz, sem velas nem adornos. Recordamos a morte de Jesus. Os ministros se prostram no chão frente ao altar no começo da cerimônia. São a imagem da humanidade rebaixada e oprimida, e ao mesmo tempo penitente que implora perdão por seus pecados.

Vão vestidos de vermelho, a cor dos mártires: de Jesus, o primeiro testeunho do amor do Pai e de todos aqueles que, como ele, deram e continuam dando sua vida para proclamar a libertação que Deus nos oferece.

Ação litúrgica na Morte do Senhor

1. A ENTRADA

A impressionante celebração litúrgica da Sexta-feira começa com um rito de entrada diferente de outros dias: os ministros entram em silëncio, sem canto, vestidos de cor vermelha, a cor do sangue, do martírio, se prostram no chão, enquanto a comunidade se ajoelha, e depois de um espaço de silêncio, reza a oração do dia.

2. Celebração da Palavra

Primeira Leitura
Espetacular realismo nesta profecia feita 800 anos antes de Cristo, chamada por muitos o 5º Evangelho. Que nos introduz a alma sofredora de Cristo, durante toda sua vida e agora na hora real de sua morte. Disponhamo-nos a vivê-la com Ele.

Leitura do Profeta Isaías 52, 13 ; 53

Eis que meu Servo há de prosperar, ele se elevará, será exaltado, será posto nas alturas.
Exatamente como multidões ficaram pasmadas à vista dele - tão desfigurado estava seu aspecto e a sua forma não parecia a de um homem - assim agora nações numerosas ficarão estupefactas a seu respeito,reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido.

Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um renovo, como raiz que brota de uma terra seca; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar.

Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos nenhum caso dele.
E no entanto, era as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava.
Mas nós o tinhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado.

Mas ele foi trespassado por causa de nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas iniqüidades.

O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.

Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença de seus tosquiadores ele não abriu a boca.

Após a detenção e julgamento, foi preso. Dentre os seus contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo?

Deram sepultura com os ímpios, o seu túmulo está com os ricos, se bem que não tivesse praticado violência nem tivesse havido engano em sua boca.

Mas o Senhor quis feri-lo, submetê-lo à enfermidade. Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar.
Após o trabalho fatigante de sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sbre si as suas transgressões.
Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou sua alma à morte e foi contado com os transgressores, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.

Palavra do Senhor

Salmo responsorial

Neste Salmo, recitado por Jesus na cruz, entrecruzam-se a confiança, a dor, a solidão e a súplica: com o Homem das dores, façamos nossa oração.

Sl 30, 2 e 6. 12-13. 15-16. 17 e 25.
Senhor, em tuas mãos eu entrego meu espírito.

Senhor, eu me abrigo em ti: que eu nunca fique envergonhado; Salva-me por sua justiça. Leberta-me . em tuas mãos eu entrego meu espírito, é tu quem me resgatas, Senhor.

Pelos opressores todos que tenho já me tornei um escândalo; para meus vizinhos, um asco, e terror para meus amigos. Os que me vêem na rua fogem para longe de mim; fui esquecido, como um morto aos corações, estou como um objeto perdido.

Quanto a mim, Senhor, confio em ti, e digo: " tú és o meu Deus!". Meus tempos etão em tua mão: liberta-me da mão dos meus inimigos e perseguidores. Faze brilhar tua face sobre o teu servo, salva-me por teu amor. Sede firmes, fortalecei vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.

Segunda leitura
O Sacerdote é o que une Deus ao homem e os homens a Deus… Por isso Cristo é o perfeito Sacerdote: Deus e Homem. O Único e Sumo e Eterno Sacerdote. Do qual o Sacerdócio: o Papa, os Bispos, os sacerdotes e dos Diáconos unidos a Ele, são ministros, servidores, ajudantes…

Leitura da Carta aos Hebreus 4,14-16; 5,7-9.

Temos, portanto, um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Permaneçamos, por isso, firmes na profissão de fé. Com efeito, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos, então, com segurança do trono da graça para conseguirmos misericórdia e alcançarmos graça, como ajuda oportuna.

É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão. Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado à perfeição, se tornou para todos os que lhe obedeceram princípio da salvação eterna.

Palavra do Senhor.

Versículo antes o Evangelho (Fl 2, 8-9)

Cristo, por nós, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o sobreexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é acima de todo nome.

Como sempre, a celebração da Palavra, depois da homilia conclui-se com uma ORAÇÃO UNIVERSAL, que hoje tem mais sentido do que nunca: precisamente porque comtemplamos a Cristo entregue na cruz como Redentor da humanidade, pedimos a Deus a salvação de todos, crentes e não crentes.

3. Adoração da Cruz

Depois das palavras passamos a um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da Santa Cruz é apresentada solenemente a Cruz à comunidade, cantando três vezes a aclamação:

"Eis o lenho da Cruz, onde esteve pregada a salvação do mundo. Ó VINDE ADOREMOS", e todos ajoelhados uns instantes de cada vez, e então vamos, em procissão, venerar a Cruz pessoalmente, com um genuflexão (ou inclinação profunda) e um beijo (ou tocando-a com a mão e fazendo o sinal da cruz ); enquanto cantamos os louvores ao Cristo na Cruz :

4. A comunhão

Desde de 1955, quando Pio XII decidiu, na reforma que fez na Semana Santa, não somente o sacerdote - como até então - mas também os fiéis podem comungar com o Corpo de Cristo.

Ainda que hoje não haja propriamente Eucaristia, mas comungando do Pão consagrado na celebração de ontem, Quinta-feira Santa, expressamos nossa participação na morte salvadora de Cristo, recebendo seu "Corpo entregue por nós". 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Instituição da Eucaristia, sacedórcio e mandamento do amo

Hoje é uma noite de despedida, o pai mandou o filho do céu e Jesus veio para o meio de nós. Ele escolheu seus apóstolos. Deus estava no céu, ninguém podia se aproximar d'Ele e Ele veio até nós. Jesus durante 3 anos convive com os apóstolos, os instrui, faz milagres. Eles vão percebendo naquele homem, uma pessoa diferente. E agora Ele vai se separar. Jesus está com saudade e quer retornar a casa do Pai.

Quando temos saudades, e vamos viajar, a vontade do nosso coração é de permanecer, é assim que Jesus estava naquela noite, com o coração entristecido pela saudade.

Jesus já sabia que Judas tinha combinado de O entregar, é uma noite de traição, de saudade, de despedida, a última refeição. Durante a ceia, Jesus disse que desejava fazer essa ceia. E antes de iniciar a refeição, Ele se levanta, amarra uma toalha em sua cintura, pega uma bacia com água. Os discípulos se indagam o que era aquilo, e Jesus começava a lavar os pés de cada um. Pedro se recusa, não deixa que o Mestre lave seus pés, pois somente um escravo lavava os pés do seu senhor. E Jesus explica que se Ele não o lavar, não teria parte com Ele. Então Pedro pede para que o lave por inteiro.

Bento explica que na hora que Jesus se abaixa para lavar os pés, Jesus faz a purificação, pois estão todos sujos, cheios de pecados. E para comer a refeição precisa de limpeza. Deus desce do céu e se abaixa para lavar os seus pecados. Deixe Jesus te lavar. Quando um adulto é batizado, naquele momento todos os pecados dele são apagados, se ele morrer, vai direto para o céu.

Depois que Jesus lava os pés deles, Jesus senta novamente e agora acontece o que Paulo diz em suas cartas aos Coríntios: “Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. (I Cor 11,23b-25)

Assim Jesus institui a Eucaristia, a primeira missa. E onde entra o padre? Na carta aos coríntios Ele diz: “fazei isto em minha memória”. Quando Jesus ressuscita, o Espírito Santo desce e eles começam a fazer isso em memória de Cristo, começando de Pedro até chegar hoje em Bento XVI. Eu desde 1997, todos os dias: “Isto é meu Corpo. Isto é meu Sangue”.

Vocês não podem ficar sem a Eucaristia, ela traz salvação. Se alimente de outras coisas sim, o alimento é para esta vida, mas o Corpo de Cristo é para vida eterna. Se quiser entrar na vida eterna, todos os domingos, se possível todos os dias se alimente da Eucaristia.

Mas primeiro tem que se lavar, confessar os seus pecados para estar limpo para comer. “Fazei isto em minha memória”, em memória da minha encarnação, em memória da minha morte, da minha ressurreição ao terceiro dia, da minha segunda vinda, do meu amor por vocês.

O evangelho começa assim: “Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”

Só o sacerdote pode trazer Jesus para Terra, mesmo que seu pároco não saiba pregar, só ele pode trazer Jesus na sua paróquia, mais ninguém. Ame! Ame o padre que você tem, só ele pode trazer Jesus.

Você pode dizer que mundo está ruim, mas estaria pior se não tivesse padre. Nessa noite você pode dizer: que noite maravilhosa, meu Deus!

Transcrição e adaptação:Regiane Calixto

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CHAMADOS À SANTIDADE

Desde a Antiga Aliança, realizada através dos Patriarcas, Deus chama o povo à santidade:

“Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”
(Lv 1,44-45). O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gen 1,26), e Ele é Santo, nós temos que ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16). São Pedro exige dos fiéis que “todas as vossas ações” espalhem essa santidade de Deus, já que vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, afim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa” (1Pe 29). Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata conseqüência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas...materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo” (1Pe 2,5).

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pe 4,3), vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados” (1Pe 4,8).

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai:

“Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,45). Essas palavras fazer eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: Sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11,44). Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus, como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos” (Mt 5,45). Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai-vos os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam” (44). E mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra” (39).

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5,6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus. Santo Agostinho, nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, N° 1966).

É por isso que na festa de todos os santos a Igreja nos faz ler no Evangelho, as Bem aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

É importante perceber que São Paulo começa quase todas as suas cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo: “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos...” (Rom 1,7). Aos coríntios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corínto, aos fiéis santificados em Crsito Jesus chamados à santidade com todos...” (1Cor 1,2). Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (ef 1,5). Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14).

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (...) que leveis uma vida digna da vocação a qual fostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência” (Ef 4,1). De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicences sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus” (1 Tess 4,3-5).

É o amor de Deus que nos leva à santidade. Só por amor ao Senhor, que nos criou e nos resgatou, é que seremos impulsionados, por dentro, a buscar uma vida perfeitamente conformada com a sua santa vontade.

Sabemos que “Deus é amor” (1Jo 4,8), e que, portanto, tudo o que ele faz é por amor e para o amor. Assim, o mundo criado com todas as maravilhas dos reinos mineral, vegetal e animal, espelham a sua glória, o seu poder e, acima de tudo, o seu amor para conosco, já que tudo foi feito para nós, criaturas humanas. Tudo o que os nossos olhos vêem, e nos maravilham; tudo o que os nossos ouvidos ouvem, e nos encantam; tudo o que degustamos com prazer, é nos oferecido gratuitamente pelo Senhor, porque nos ama...

Se o amor de Deus por nós se manifesta na criação e na grandeza de cada ser humano, mais ainda esse amor se manifesta no mistério de nossa salvação. Em Jesus, o Verbo de Deus humanado, esse amor atinge o seu auge. Deus não poderia manifestar de maneira mais intensa o seu amor por nós, do que fazendo-se homem, assumindo a nossa carne e a nossa natureza humana. “Cristo veio principalmente, disse S. Agostinho, a fim de que o homem soubesse quanto Deus o ama”. A partir da Encarnação de Deus ninguém mais pode duvidar do seu amor por nós. Como dizia Santo Antonio, o corpo humano de Jesus foi uma “veste de penitência”. Ele a assumiu livremente, por amor, para pagar em si mesmo o preço dos nossos pecados (cf. Hb 9,26-28).

A partir dessa “experiência do amor de Deus”, a resposta de São Paulo a Deus foi uma resposta de amor sem limites: “A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim” (Gal 2,20). “Amor só se paga com amor”, ensinam os santos, não há outra moeda.

A santidade é a melhor resposta que damos ao amor de Deus. É esse amor retribuído que levaram os santos a fazerem a vontade de Deus e chegarem à santidade. Também conosco há de ser uma resposta pessoal ao amor com que Deus nos ama, a via da nossa santificação.

(Texto retirado do Livro Sede Santos de Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino, págs. 10 a 15, Edições Cleófas, 2ª Edição, Lorena, São Paulo).

Ir. Carlos Eduardo Campos

Vivendo a Semana Santa


A Semana Santa é o grande retiro espiritual das comunidades eclesiais, convidando os cristãos à conversão e renovação de vida. Ela se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

DOMINGO DE RAMOS - A celebração desse dia lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, aonde vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-o com ramos de árvores. Por isso hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém, querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.

2ª A 4ª FEIRAS – Nestes dias, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Nesses dias não há nenhuma celebração litúrgica especial, mas nas comunidades paroquiais, é costume realizarem procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras, procurando realçar o sentido da Semana.

Tríduo Pascal

O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro) que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério pascal. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.

QUINTA-FEIRA SANTA - Neste dia celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento espiritual.

De manhã só há uma celebração, a Missa do Crisma que, na nossa diocese, é realizada na noite de quarta-feira, permitindo que mais pessoas possam participar.

Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa, em que se recorda a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa realiza-se a cerimônia do lava-pés, em que o celebrante recorda o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor.

Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.

SEXTA-FEIRA SANTA - A Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da palavra divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão.

Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai e o relato da paixão e morte de Cristo do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo.

O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiante. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”.

E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou.

Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne, como ato de homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.

Mas a Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte quando se celebra a vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.

VIGÍLIA PASCAL - Sábado Santo é dia de “luto”, de silêncio e de oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa, batizado, casamento, nenhuma celebração.

À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a ressurreição de Cristo, sal vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.

Ir. José Victor Rafael Léo Rodrigues

segunda-feira, 26 de março de 2012

Anunciação do Senhor


Neste dia, a Igreja festeja solenemente o anúncio da Encarnação do Filho de Deus. O tema central desta grande festa é o Verbo Divino que assume nossa natureza humana, sujeitando-se ao tempo e espaço.

Hoje é o dia em que a eternidade entra no tempo ou, como afirmou o Papa São Leão Magno: "A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela força; a mortalidade, pela eternidade."

Com alegria contemplamos o mistério do Deus Todo-Poderoso, que na origem do mundo cria todas as coisas com sua Palavra, porém, desta vez escolhe depender da Palavra de um frágil ser humano, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Filho Redentor:

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem e disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.’ Não temas , Maria, conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Maria perguntou ao anjo: ‘Como se fará isso, pois não conheço homem?’ Respondeu-lhe o anjo:’ O Espírito Santo descerá sobre ti. Então disse Maria: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tu palavra’" (cf. Lc 1,26-38).

Sendo assim, hoje é o dia de proclamarmos: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14a). E fazermos memória do início oficial da Redenção de TODOS, devido à plenitude dos tempos. É o momento histórico, em que o SIM do Filho ao Pai precedeu o da Mãe: "Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade" (Hb 10,7). Mas não suprimiu o necessário SIM humano da Virgem Santíssima.

Cumprindo desta maneira a profecia de Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco" (Is 7,14). Por isso rezemos com toda a Igreja:

"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da Virgem Maria; dai-nos participar da divindade do nosso Redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por nosso Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo".

Fonte: Blog do Ir. Rafael Léo Rodrigues http://jvrafaelleo.blogspot.com.br/

quinta-feira, 22 de março de 2012

O EXCESSO DE AMOR

Mas, Senhor, por que te comportas assim? Por que chegaste a este excesso de amor?  “Amo os homens e sinto-me feliz por tê-los à vista e esperá-los; quero ir até eles”.Deliciae meae.Valorizo as minhas alegrias por estar com eles.

E, ainda assim, o prazer, a ambição, os amigos, os negócios..., tudo vem antes de nosso Senhor. Jesus será recebido como um último recurso ou a extrema unção, se a enfermidade permitir. Isto já não é o bastante?

Oh Senhor! Por que queres vir aos que não querem receber-te e te empenhas tanto em permanecer com aqueles que Te maltratam?

VII
Quem faria o que Jesus Cristo faz?

Instituiu seu sacramento para que fosse glorificado e é nele que recebe mais injúrias que glórias. O número de maus cristãos que Lhe desonram é maior do que aqueles que Lhe honram.

Nosso Senhor sai perdendo. Para que continuar este comércio? Quem gostaria de negociar tendo a certeza de perder?

Ah! Os santos que vem e compreendem tanto amor e tanto rebaixamento devem estremecer-se e sentir-se indignados diante de nossa ingratidão.

E o Pai diz ao Filho: “É preciso concluir; teus benefícios de nada servem; teu amor é menosprezado; tuas humilhações são inúteis; perdes; terminemos”.

Mas Jesus Cristo não se rende. Persevera e aguarda; se contenta com a adoração e o amor de algumas boas almas. Ah! Não deixemos de corresponder-Lhe, pelo menos nós.

Acaso as suas humilhações não merecem que Lhe honremos e amemos?

São Pedro Julião Eymard


O Sacerdote

Ah! Quão belo quão divino e cheio de grandeza é o Sacerdote! Participe e completa a paternidade de Deus pai.
Depois de fazer o verbo se encarnar sobre o altar, dá às almas este mesmo Verbo, eternamente gerado pelo Pai! E dá ao Pai o seu divino filho, que o Glorifica por meio de todos os mistérios de sua vida de Homem-Deus.
Ah! O Pai ama o Sacerdote, e nele se compraz quando o vê celebrando o Augusto Mistério!
O espírito Santa ama o Sacerdote, porque é o instrumento de que se serve para gerar nas almas a vida divina e renovar, em suas mãos, a obra admirável da Encarnação operada no seio de Maria. O Espírito Santo está nele e com ele; faz-lhe palpitar o coração, opera por suas mãos, fala por seus lábios quando ele anuncia a palavra de Deus, e, de um modo mais eficaz e sublime, quando ele pronuncia as palavras da Consagração.
E Nosso Senhora Jesus Cristo? Ah! Ele ama o Sacerdote, e o ama acima de tudo, pois que lhe concedeu todo o poder sobre a sua Pessoa, que somente pode viver com os homens, trabalhar entre eles e acerca-se dos pecadores, por intermédio do Sacerdote! Nosso Senhor não pode passar sem o seu Sacerdote!
O Sacerdote é o homem do Coração de Nosso Senhor, que o ama sobre todas as coisas. Foi por amor que o tornou Sacerdote; é o fruto de suas mãos e de seu Coração. O Sacerdote brota das chagas de Jesus Cristo. A maior Graça que Deus concede a um povo é o Sacerdote, o Sacerdote segundo o seu Coração.

São Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia.
  

Eucaristia

Contemplai Nosso Senhor no santíssimo Sacramento ;vede o seu amor,e que este pensamento vos empolgue,vos encante. Alimentai em vós o espirito da Eucaristia ,da verdade do amor que nosso senhor aí vos testemunha.

Será possível, direis a vós mesmos, que Ele me ame a ponto de dar-se a mim constantemente ,sem se fatigar?

Vosso espirito se fixa então em nosso senhor ;todos os vossos pensamentos O procuram e querem estuda-lo a fim de penetrar nas razões do seu amor.

Sentir-vos-eis admirados, cheios de enlevo ,e o vosso coração há de exclamar:Como corresponder a tanto amor?

Eis que começa a se formar o amor no coração ,pois que somente se ama profundamente aquilo que conhecemos bem.

E o coração voa para o Santíssimo Sacramento ,porque não se satisfaz de caminhar.

Jesus Cristo me ama sim ,Ele me ama no seu sacramento !(cF. gl2,20).

Ah! Se fosse possível ,o coração romperia invólucro da carnepara se unirestreitamente a nosso Senhor.

(flores da eucarístia – São Pedro Julião Eymard. Pg 245) 

Ir.Carlos Eduardo Campos

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Eucaristia edifica a Igreja


Existe um influxo causal da Eucaristia nas próprias origens da Igreja. Os evangelistas especificam que foram os Doze, os Apóstolos, que estiveram reunidos com Jesus na Última Ceia (cf. Mt 26,20; Mc 14,17; Lc 22,14). Trata-se de um detalhe de notável importância, porque os Apóstolos foram à semente do novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada Hierarquia».

1 Ao oferecer-lhes o seu corpo e sangue como alimento, Cristo envolvia-os misteriosamente no sacrifício que iria consumar-se dentro de poucas horas no Calvário. De modo análogo à aliança do Sinai, que foi selada com um sacrifício e a aspersão do sangue,2 os gestos e as palavras de Jesus na Última Ceia lançavam os alicerces da nova comunidade messiânica, povo da nova aliança.

No Cenáculo, os Apóstolos, tendo aceitado o convite de Jesus: «Tomai, comei [...]. Bebei dele todos» (Mt 26, 26.27), entraram pela primeira vez em comunhão sacramental com Ele. Desde então e até ao fim dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós: «Fazei isto em minha memória [...].Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em minha memória» (1 Cor 11, 24-25; cf. Lc 22, 19) .

A incorporação em Cristo, realizada pelo Batismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade conosco: «Chamei-vos amigos» (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: «O que Me come viverá por Mim» (Jo 6,57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós» (Jo 15,4).


Bem Aventurado João Paulo II