sábado, 10 de dezembro de 2011

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO NÃO É AMADO









“Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo desobediente e teimoso” Isaias 65,2. (Rom.10,21)




Ai de nós! Como é verdade, e para nossa desgraça, que Jesus Cristo não é amado no santíssimo Sacramento!

Não Lhe amam, em primeiro lugar, tantos milhões de pagãos, todos esses milhões de judeus e de infiéis, todos esses incontroláveis dissidentes e hereges que não conhecem ou mal conhecem a Eucaristia.

E entre tantos milhões de criaturas dotadas de um coração que lhes foi dado por Deus é capaz de amar como o meu? Quantas amariam Jesus Sacramentado, se Lhe conhecessem como eu o conheço!

Eu não deveria esforçar-me para amar-Lhe, pelo menos, por elas e no lugar delas?

Mesmo entre os católicos, são poucos, muito poucos, os que amam Jesus Sacramentado. Quantos são os que pensam Nele, ou falam Dele, ou vão adorar-Lhe e receber-Lhe com frequência?

A que se deve este esquecimento, esta frieza? Ah! Não experimentaram nunca a doçura da Eucaristia nem as delícias de seu amor! Jamais perceberam o quanto Jesus é bom! Não repararam na imensidão do seu amor no Santíssimo Sacramento!

Alguns têm fé na Eucaristia, mas uma fé inativa, e tão superficial, que não chega ao coração, limitando-se estritamente ao que a consciência julga necessário para salvar-se. E ainda estes são relativamente poucos se comparados a tantos católicos que vivem como verdadeiros pagãos, como se jamais tivessem ouvido falar da Eucaristia.

Porque será que nosso Senhor Jesus é tão pouco amado na Eucaristia?
Não Lhe amamos mais que tudo porque não falamos o bastante da sagrada Eucaristia. Contentamo-nos em aumentar muito a fé na real presença de Jesus Cristo, em lugar de falar de sua vida, de seu amor no Santíssimo Sacramento e de fazer ressaltar o sacrifício que ali Lhe impõe este amor; resumindo, em lugar de apresentarmos a Jesus Eucaristia como o amante que ama a cada um de nós pessoalmente.

Outra das causas é porque somos “mornos” em nossa conduta, o que manifesta o nosso pouco amor, quando fazemos nossas orações, nossas adorações, ou a frequência com que vamos à Igreja, a não compreensão da presença de Jesus Cristo. Quantos, ainda entre os melhores, não fazem jamais uma visita por devoção ao santíssimo Sacramento para falar-lhe ao coração e assim dar-lhe provas de seu amor! Não amam Jesus na Eucaristia, porque não Lhe conhecem o bastante.

E se Lhe conhecem e conhecem o seu amor e os seus sacrifícios, os desejos do seu divino coração, e com tudo isso, não Lhe amam, que injúria cometem contra Ele!

Sim, que injúria!

Seria o mesmo que dizer que em Jesus Cristo não existe suficiente beleza, que Ele não é tão bom nem amável que mereça ser o preferido entre aquilo que agora os agrada.

Que ingratidão!

Depois de tantas graças recebidas deste bondoso Salvador, depois de ter-lhe prometido tantas vezes amar-Lhe y de ter-se oferecido tantas vezes para servir-Lhe, tratar-Lhe assim é desprezar o seu amor!

Que covardia!

Acontece que não queremos conhecer-Lhe melhor, nos recusamos a uma aproximação, receber-Lhe e falar cordialmente com Ele, porque tememos cair nas redes de seu amor. Medo de não poder resistir aos atrativos de sua bondade e ser obrigado a render-se, sacrificar-Lhe totalmente o coração, o espírito e a vida incondicionalmente!

Temos medo do amor de Jesus Cristo no santíssimo Sacramento, e fugimos Dele!
Aturdimo-nos diante Dele e tememos ceder. Como Pilatos e Herodes, nos esquivamos de sua presença.

São Pedro Julião Eymard

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