sábado, 29 de outubro de 2011

A NATIVIDADE E A EUCARISTIA


O nascimento do Senhor me sugere outro pensamento. Os anjos anunciaram aos pastores aquele acontecimento com estas palavras: “Hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc. 2,11), como se dissessem: Hoje começa um novo mundo; a obra de Adão vai ser destruída e substituída por uma obra de restauração divina. O nome de Adão convém a dois homens, ambos os pais de um grande povo. O primeiro Adão terrestre, pai do mundo degenerado, terreno para a terra, e o segundo Adão, pai do mundo regenerado celestial para o céu ( 1 Cor. 15,47) Agora bem; o segundo vem para restabelecer tudo aquilo que o primeiro havia destruído, o que não se percebe satisfatoriamente aqui na terra, a não ser através da Eucaristia.

A causa determinante do pecado de Adão e a força principal da tentação diabólica estavam nestas palavras: Sereis como deuses, juntamente com o sentimento de orgulho que Adão concebeu por elas.

Sereis semelhantes a Deus! Ai! E chegaram a ser semelhantes às bestas! Nosso Senhor Jesus Cristo vem reproduzir e repetir-nos as palavras de Satanás...,mas para realiza-las, Satanás seria presa de suas próprias redes. Sim, nós seremos semelhantes a Deus por alimentar-nos de seu corpo e de seu sangue.

Não morrereis. A imortalidade: nós recebemos uma prova segura dela na Comunhão: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”( Jo.¨,54).Jesus Cristo nos promete a vida eterna: a temporal se perde; mas esta vida não merece tal nome, não é mais que uma passagem para a verdadeira vida.

Sereis semelhantes a Deus. Muda-se de estado quando se ascende a uma união mais perfeita: uma simples camponesa chega a tornar-se rainha se o rei a escolhe para esposa. Vejamos, pois; nosso Senhor nos associa a sua divindade comunicando-se conosco, e nós nos tornamos a ser a sua carne e seu sangue: recebemos a realeza celestial e divina do Criador. A natureza humana foi divinizada na união hipostática: a comunhão nos eleva também a essa união divina que nos torna partícipes da natureza de Deus; o alimento que tomamos por ser inferior a nós se converte em nossa substância; nós, por outro lado, nos transformamos na substância de nosso Senhor Jesus Cristo, absorvidos por Ele; passamos a ser membros de Deus, e no céu seremos tão mais gloriosos quanto mais nos tenhamos transformado em Jesus Cristo pela nossa frequente participação de seu corpo adorável.

Enfim, vós sabereis tudo, disse o demônio. O mal...; mas não certamente o bem. Onde se adquire esta ciência do bem a não ser na Comunhão? Ouçam o que disse Jesus aos seus apóstolos, depois de ter-lhes dado a Comunhão: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas chamar-vos-ei amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” ( Jo. 15,15). Na Comunhão é o mesmo Deus quem nos comunica esta ciência transformando-se em nosso imediato e particular mestre. “E serão todos ensinados por Deus” ( Jo 6,45). E não nos envia profetas, mas Ele mesmo é o nosso doutor e mestre. Tudo vocês sabem, porque Ele é a ciência divina, não criada e infinita.

Eis aqui como a Eucaristia põe fim à restauração no presépio. Alegrem-se, pois, neste lindo dia, no qual o sol divino da Eucaristia começa a sua caminhada. Que a sua gratidão não separe nunca o PRESÉPIO do ALTAR, o verbo feito carne do homem-Deus, feito pão da vida no Santíssimo Sacramento.


São Pedro Julião Eymard