sábado, 17 de dezembro de 2011

Valcir Lima Santos é ordenado Diácono da Igreja

A Sociedade dos Servos da Eucaristia, alegra-se por seu Diácono.

O EXCESSO DE AMOR






♦ Mas, Senhor, por que te comportas assim? Por que chegaste a este excesso de amor? “Amo os homens e sinto-me feliz por tê-los à vista e esperá-los; quero ir até eles”.Deliciae meae.Valorizo as minhas alegrias por estar com eles.


♦ E, ainda assim, o prazer, a ambição, os amigos, os negócios..., tudo vem antes de nosso Senhor. Jesus será recebido como um último recurso ou a extrema unção, se a enfermidade permitir. Isto já não é o bastante?

♦ Oh Senhor! Por que queres vir aos que não querem receber-te e te empenhas tanto em permanecer com aqueles que Te maltratam?

♦ Quem faria o que Jesus Cristo faz?

♦ Instituiu seu sacramento para que fosse glorificado e é nele que recebe mais injúrias que glórias. O número de maus cristãos que Lhe desonram é maior do que aqueles que Lhe honram.

♦ Nosso Senhor sai perdendo. Para que continuar este comércio? Quem gostaria de negociar tendo a certeza de perder?

♦ Ah! Os santos que vem e compreendem tanto amor e tanto rebaixamento devem estremecer-se e sentir-se indignados diante de nossa ingratidão.

♦ E o Pai diz ao Filho: “É preciso concluir; teus benefícios de nada servem; teu amor é menosprezado; tuas humilhações são inúteis; perdes; terminemos”.

♦ Mas Jesus Cristo não se rende. Persevera e aguarda; se contenta com a adoração e o amor de algumas boas almas. Ah! Não deixemos de corresponder-Lhe, pelo menos nós.

♦ Acaso as suas humilhações não merecem que Lhe honremos e amemos?

São Pedro Julião Eymard

sábado, 10 de dezembro de 2011

O SANTÍSSIMO SACRAMENTO NÃO É AMADO









“Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo desobediente e teimoso” Isaias 65,2. (Rom.10,21)




Ai de nós! Como é verdade, e para nossa desgraça, que Jesus Cristo não é amado no santíssimo Sacramento!

Não Lhe amam, em primeiro lugar, tantos milhões de pagãos, todos esses milhões de judeus e de infiéis, todos esses incontroláveis dissidentes e hereges que não conhecem ou mal conhecem a Eucaristia.

E entre tantos milhões de criaturas dotadas de um coração que lhes foi dado por Deus é capaz de amar como o meu? Quantas amariam Jesus Sacramentado, se Lhe conhecessem como eu o conheço!

Eu não deveria esforçar-me para amar-Lhe, pelo menos, por elas e no lugar delas?

Mesmo entre os católicos, são poucos, muito poucos, os que amam Jesus Sacramentado. Quantos são os que pensam Nele, ou falam Dele, ou vão adorar-Lhe e receber-Lhe com frequência?

A que se deve este esquecimento, esta frieza? Ah! Não experimentaram nunca a doçura da Eucaristia nem as delícias de seu amor! Jamais perceberam o quanto Jesus é bom! Não repararam na imensidão do seu amor no Santíssimo Sacramento!

Alguns têm fé na Eucaristia, mas uma fé inativa, e tão superficial, que não chega ao coração, limitando-se estritamente ao que a consciência julga necessário para salvar-se. E ainda estes são relativamente poucos se comparados a tantos católicos que vivem como verdadeiros pagãos, como se jamais tivessem ouvido falar da Eucaristia.

Porque será que nosso Senhor Jesus é tão pouco amado na Eucaristia?
Não Lhe amamos mais que tudo porque não falamos o bastante da sagrada Eucaristia. Contentamo-nos em aumentar muito a fé na real presença de Jesus Cristo, em lugar de falar de sua vida, de seu amor no Santíssimo Sacramento e de fazer ressaltar o sacrifício que ali Lhe impõe este amor; resumindo, em lugar de apresentarmos a Jesus Eucaristia como o amante que ama a cada um de nós pessoalmente.

Outra das causas é porque somos “mornos” em nossa conduta, o que manifesta o nosso pouco amor, quando fazemos nossas orações, nossas adorações, ou a frequência com que vamos à Igreja, a não compreensão da presença de Jesus Cristo. Quantos, ainda entre os melhores, não fazem jamais uma visita por devoção ao santíssimo Sacramento para falar-lhe ao coração e assim dar-lhe provas de seu amor! Não amam Jesus na Eucaristia, porque não Lhe conhecem o bastante.

E se Lhe conhecem e conhecem o seu amor e os seus sacrifícios, os desejos do seu divino coração, e com tudo isso, não Lhe amam, que injúria cometem contra Ele!

Sim, que injúria!

Seria o mesmo que dizer que em Jesus Cristo não existe suficiente beleza, que Ele não é tão bom nem amável que mereça ser o preferido entre aquilo que agora os agrada.

Que ingratidão!

Depois de tantas graças recebidas deste bondoso Salvador, depois de ter-lhe prometido tantas vezes amar-Lhe y de ter-se oferecido tantas vezes para servir-Lhe, tratar-Lhe assim é desprezar o seu amor!

Que covardia!

Acontece que não queremos conhecer-Lhe melhor, nos recusamos a uma aproximação, receber-Lhe e falar cordialmente com Ele, porque tememos cair nas redes de seu amor. Medo de não poder resistir aos atrativos de sua bondade e ser obrigado a render-se, sacrificar-Lhe totalmente o coração, o espírito e a vida incondicionalmente!

Temos medo do amor de Jesus Cristo no santíssimo Sacramento, e fugimos Dele!
Aturdimo-nos diante Dele e tememos ceder. Como Pilatos e Herodes, nos esquivamos de sua presença.

São Pedro Julião Eymard

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Deus dos Pequenos

“Sou pobre e desvalido, mas o Senhor vela por mim” ( Sal. 39,18)

Acostumemo-nos a fazer a adoração e a comunhão considerando-nos como mendigos de Deus. Desta maneira será mais fácil aplicar as quatro finalidades do sacrifício.

1º O que faz o pobre quando vai pedir esmola e encontra um rico de bons sentimentos? Com um semblante alegre, saúda-o com respeito, esquecendo-se do seu estado miserável, de suas roupas sujas e andrajosas para não pensar em mais nada além da bondade do rico.

Façamos o mesmo na presença do Senhor sacramentado: esqueçamos nossa miséria para recordarmos apenas de sua bondade e Lhe adoremos com confiança e humildade.

2º O pobre elogia a bondade do rico: “O senhor é muito bom... todo o mundo diz. Em outras ocasiões o senhor já foi bom comigo”, contando em detalhes os benefícios recebidos.

Agradeçam da mesma forma e louvem a bondade divina para com vocês e verão como brotam lágrimas dos seus corações e expressões de gratidão eloquentes.

3º Depois o pobre expõe a suas misérias: “Volto à sua porta com a mesma pobreza de antes ou talvez maiores ainda. Não tenho mais ninguém que me ampare há não ser o senhor! Estou convencido de sua bondade que é maior que a minha pobreza; também sei que lhe proporciono a oportunidade de fazer uma boa obra.”.

Da mesma forma devemos saber expor os nossos sofrimentos diante de Jesus na Eucaristia e chamar a atenção do seu coração pelo relato do bem que nos pode fazer seguros de que Lhe proporcionaremos uma grande satisfação, já que o seu amor se manifesta pela fusão de sua bondade.

Quando o pobre recebe muito mais do que havia pedido, costuma chorar. Então não presta atenção ao que lhe foi dado, mas à generosidade do seu bem feitor, e repete sem cessar: Ah! Que bom o senhor é! Bem que eu sabia!

E se o rico lhe convida para entrar, para sentar-se à sua mesa e senta-se ao seu lado, este não se atreve a comer; tal são as emoções e confusão que produzem semelhantes excessos de bondade!

Não é assim que Jesus Cristo nos trata?

Façamos com que a nossa miséria nos faça compreender melhor a sua bondade.

4º Em fim, o pobre se separa do seu bem feitor dizendo-lhe: “Como gostaria de ser lhe útil em alguma coisa; rezarei pela sua família”. E se vai feliz rezando pelo seu bem feitor desejando-lhe toda sorte de bênçãos.

Façamos nós o mesmo. Peçamos pela família de nosso senhor Jesus Cristo; bendigamos a sua bondade: supliquemos de toda forma a sua glória e ofereçamos-Lhe a homenagem do nosso coração e de nossa vida.

São Pedro Julião Eymard

A EUCARISTIA E A FAMILIA



“ Não vos deixarei órfãos”(Jo.14,18)

♦ A Imitação de Cristo ( L.II. cap.VIII) diz: “ Quando Jesus está presente, tudo é bom e nada é difícil; mas quando está ausente, tudo se torna complicado.

♦ Que seria de nós se o Salvador tivesse se contentado em viver conosco somente durante a sua vida mortal?

♦ Isto já teria sido, sem dúvida, uma grande misericórdia e teria bastado para que merecêssemos a salvação e a vida eterna; mas não impediria que fôssemos os mais desgraçados dos homens. É possível que seja assim- alguém diria- contando com a graça, a palavra de Jesus, seus exemplos e as provas excessiva de amor? Sim; com tudo isso seríamos os mais infelizes dos homens.

I

♦ Contemplemos uma família reunida ao redor de seu carinhoso pai, é uma família feliz. Mas se lhes fosse arrebatado o chefe, as lágrimas ocupariam o lugar da alegria e da felicidade; faltando o pai já não existe família.

♦ Agora vejamos, Jesus veio ao mundo para fundar uma família: “ Teus filhos em torno à tua mesa serão como brotos de oliveira”( Sal.127,3).Se o nosso Chefe desaparece a família ter-se-á dispersado.

♦ Sem nosso Senhor Jesus Cristo, nós ficaríamos como os apóstolos durante a paixão, errantes e sem saber que seria deles, e isso que estavam perto de Jesus Cristo, e Dele haviam recebido tudo: haviam visto os seus milagres, eram testemunhas recentes de sua vida, mas lhes faltava o pai e eles já não constituíam uma família, nem eram irmãos entre si, apenas andavam ao lado de Jesus.

♦ Que sociedade pode subsistir sem um Chefe?

♦ A Eucaristia é, por conseguinte, o laço de união da família cristã. Retirai a Eucaristia e terá desaparecido a fraternidade.

♦ Os protestantes, que não possuem a Eucaristia, por acaso conservaram a fraternidade cristã? Não. Eles são como estranhos uns para com os outros. Ainda quando se encontram reunidos em seus templos não formam uma família; cada um é livre para pensar e pensar como queira; seus templos são apenas grandes salões. Por acaso, esses templos convidam à oração?

♦ E podemos chamar de irmãos aos católicos que não recebem a Eucaristia?Propriamente, não; nas famílias onde os pais e os irmãos não comungam, o espírito de união desaparece, a mãe torna-se uma mártir e as irmãs perseguidas. Não, não; sem a Eucaristia no existe família cristã.

♦ Mas, depois que Jesus Cristo reaparece, se reconstitui a família. Veja a grande família cristã, a Igreja celebra muitas festas, e é fácil compreender isto; festa em homenagem ao pai da família, em homenagem a mãe e a todos os santos, que são nossos irmãos, e por tanto, todas estas festas têm a sua razão de ser.

♦ Bem sabia Jesus Cristo que enquanto durasse a família cristã, Ele haveria de ser o seu pai, seu centro, sua alegria e felicidade!

♦ Por isso, nos encontramos uns com os outros, podemos saudar-nos como irmãos, pois acabamos de levantar-nos da mesma mesa. Assim os apóstolos instintivamente chamavam aos primeiros cristãos de irmãos.

♦ Ah! O demônio também sabe perfeitamente que, afastando as almas da Eucaristia, destrói a família cristã, e nos tornamos egoístas. Não existem mais que dois amores: o amor de Deus ou o amor a si mesmo; forçosamente temos que escolher entre um ou outro.


São Pedro Julião Eymard