segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

50 anos de Canonização


1962- 09-XII -2012
50 ANOS da Canonização de São Pedro Julião Eymard

Carisma Eymardiano : Escola de Santidade
  Neste ano temos a alegria de comemorar os cinquenta anos da canonização de São Pedro Julião Eymard, o apóstolo da Eucaristia , canonizado como todos sabem em 09 de dezembro de 1962,  por Sua Santidade o Beato João XXIII .Como servos e servas do Ssmo. Sacramento, também devemos buscar a santidade como Ele buscou, via o serviço eucarístico, a perfeição evangélica para servir melhor e mais dignamente a Nosso Senhor no seu Augusto Sacramento: “Para o digno serviço do sumo Rei, por meio do qual são associados aos coros angélicos , seria conveniente, antes de justiça, que os mesmos adoradores fossem ornados com as virtudes de todos os santos” (nº137  da Constituições da SSE)
   E apresento neste pobre opúsculo a vida resumida de um religioso eucarístico que se santificou pelo carisma de Santo Eymard ou seja a Igreja como Mãe e Mestra só aprova um carisma entre tantos critérios, se este carisma é capaz de levar a santidade os membros de uma congregação, deste ponto é que nasce o título deste trabalho:
 “Carisma Eymardiano: Escola de Santidade” ,vos apresento  humildemente: 


Servo de Deus Fra. Giovanni Nadiani
(1885-1940)

  
   Fra. Nadiani nasceu 20 de fevereiro de 1885, em St. Maria Nuova, no município de Bertinoro,  Diocese de Cesena; filho de Hércules Nadiani e Anuncia Piazzi, recebeu o santo batismo no mesmo dia em que nasceu, na igreja paroquial pelo pároco Don Lazzaro Ceredi, deram-lhe o nome de Giovanni Antonio Gaspar Nadiani
  
   Quando o bebê Giovanni, tinha  três anos, sua mãe morre, seu  pai  se casa com sua cunhada Lúcia que  morre depois de dois anos;  e novamente o pai se casa com Giannina Ruffilli. Três mães santas que  educaram  profundamente  Giovanni  na vida de piedade.
  
   Seu apelido em  S. Maria Nuova era  Vanitti, era  conhecido quando criança como modelo  gentil e generoso, privado e alegre, cheio de iniciativas entre os companheiros e disponível para as ordens de seu pai, diligente na escola e muito piedoso na paróquia. Fez sua primeira comunhão em 08 de junho de 1892 , recebeu a crisma 16 de outubro  de 1896  pelo Cardeal Sebastiano Galeati.
   Ingressou no seminário de Cesena em 1898, onde se destacou por seus dotes musicais e por sua amizade para com todos e sua diligência nos estudos ;sua vida como  seminarista terminou em  02 de julho de 1902, quando ele deixou o Seminário de Cesena  sofrendo  muito por isso.
  
   De 19O2 a 19O7 ,o jovem Vanitti, volta  para sua casa e ajuda seu pai no comércio que ele possuía, sempre com sua conduta exemplar de varão católico com uma vida de penitência e oração , não desistindo do propósito de consagrar sua vida a Deus ;queria aprender alemão e francês para ser missionário, mas acaba indo para Suíça onde trabalha numa fábrica de chocolates . Em 1905 volta a Itália para o serviço militar aonde é dispensado no final do mesmo ano. Regressa a Suíça novamente em 1907 vai para Roma trabalhar como balconista em uma taberna dos parentes de sua mãe 
  
   Aqui começa uma busca através de várias igrejas, onde  poderia  realizar seu plano de consagração a Cristo. No centro histórico de Roma, próximo da Piazza Colonna, ele viu uma das muitas igrejas da capital. Um dia ele entrou na penumbra, ele viu um grande manto branco de arminho, e no meio, como um trono de Jesus ,a Eucaristia exposta em uma custódia em um globo, símbolo do mundo dominado por Cristo. Ao pé  dois padres com sobrepelizes  brancas,  Giovanni também se ajoelha para adorar. E tantas pessoas chegando, adorando por alguns minutos ou por um longo tempo e saindo.
  
   Lá, de joelhos, ele encontrou-se ,e exclamou: "Eu quero ser um padre adorador!”. Ele ficou lá por três horas , em seguida,  passou para a sacristia e queria falar imediatamente com os Padres   Sacramentinos da igreja de S. Claudio.  Falou com o Revmo. Pe. Jarlan , francês membro do conselho geral, que compreendeu o sincero desejo de doação do jovem. Ele prometeu, no entanto, a aceitar com uma condição: que iria deixar de lado a idéia de tornar-se sacerdote, pois tinha já idade adulta e Nadiani concorda em permanecer como irmão leigo. Em 6 de junho de 1907 , Giovanni Nadiani apresenta o pedido escrito ao Superior Geral, apesar da oposição de seu pai, que o queria em seu comércio.
                                               
                                                   



   Entrou para a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento, na casa de Turim, em 02 de julho do mesmo ano. Foi recebido por  Pe. Carlo Maria Poletti, que, então, guiaria ele  com sabedoria espiritual verdadeira. Em 14 de novembro 1907, entrou no noviciado de Castelvecchio di Moncalieri
  
   No início de outubro 1931 Fra Giovanni Nadiani  foi transferido permanentemente para Ponteranica . Seu primeiro superior o Revmo. Pe. Lodovico Longari  designa  ele para cuidar da enfermaria da Comunidade. Ele não possuía diploma, mas sim  uma boa prática lendo várias  revistas médicas e livros de enfermagem. Mas o que o caracterizava era sua gentileza e bondade para todos os males. Um de seus irmãos recorda: “Por ocasião da academia anual, que contou com a presença do Bispo de Bérgamo, D. Marelli, eu estava doente e triste, e Fra Giovanni, durante o tempo da academia me fez companhia”. E eu lhe disse: "Vá para a academia, também," ele disse carinhosamente: "Minha academia é aqui."
     
   Fra Nadiani nos últimos anos  começou a  sentir uma dor no estômago , os médicos examinando-o descobriram  uma úlcera, que acabou resultando em um tumor ; Então Giovanni  continuava   a desempenhar suas atividades regulares mesmo com dores intensas com grande sacrifício. Quando a dor se tornou pior nos últimos meses, ele escreveu em seu diário apenas uma palavra: “ Mãe” (fazendo referencia a Nossa Senhora das Dores no qual tinha grande devoção)
    
   Em 9 de setembro de 1939,  suas dores tornaram se insuportáveis,o diagnóstico é de que a úlcera piorou. "Deo gratias", é a resposta. Mas o mal continua e em 22 de dezembro,  foi internado no Hospital Maior em Bérgamo. Escreveu sua última carta para o Revmo. Pe. Missaglia no qual se expressa sua espiritualidade profunda, a onde destacamos “...ajude-me Vossa Revma. Querido Pai para que quando seja operado possa celebrar minha missa cruenta de verdadeiro sacramentino ,desejando livremente e com alegria que Jesus-Vítima complete em seu indigno servo sua paixão e assim me resgate dos meus pecados. A doce Mãe celestial certamente me acompanhará”  A operação seria realizada em  30 de dezembro, mas não se teria  mais nada a fazer, pois a úlcera era cancerígena e estava  em estado  avançado.

   O Servo de Deus adormeceu no Senhor na manhã de 06 de janeiro de 1940; sendo que o capelão teve que interromper a missa que celebrava pra administrar  a Unção dos Enfermos, assim Fra Nadiani  concluiu sua missa cruenta, assistida por um sacerdote, que depois terminou de celebrar a missa, o sacrifício de Cristo.

   O carisma eymardiano é escola de santidade verdadeiramente , pois como vemos Fra Nadiani se santificou por ele e inúmeras outras centenas de religiosos e servas do Ssmo. Sacramento se santificaram com certeza por ele, e que comtemplaremos com a graça de Deus na liturgia celeste sem contar os exemplos concretos que tivemos em nosso meio. Por isso edificados com os exemplos destes  “religiosos de fogo” , também nós lutemos por isso, para incendiarmos este mundo que esta na sombra do pecado e num deserto espiritual como afirma o papa na homilia da missa de abertura do ano da fé, com as chamas do fogo do amor eucarístico.





Adveniat Regnum tuum Eucharisticum

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A COMUNHÃO, ALEGRIA DO ESPÍRITO.

“Et exsultavit spiritus meus inDeo salutari meo”

 “Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.”
(Luc, 1, 47.)

Deus querendo nutrir nosso espírito deu-nos o Pão Divino. É a Eucaristia anunciada pelas Sagradas Escrituras: “Nutrir-lhes-ei com o Pão da Vida e da Inteligência”.

Ora, não há na terra alegrias maiores que às do espírito. O contentamento do coração é mais passageiro, por apoiar-se no sentimento, sujeito que é a alterações frequentes. A verdadeira alegria é a do espírito, que consiste no conhecimento sereno da verdade.

As almas grosseiras e aos espíritos levianos nada regozijarão espiritualmente. As almas piedosas, mas não recolhidas, tampouco sentirão verdadeiro gozo espiritual. O grande obstáculo ao reinado de Deus na alma é o espírito leviano. Querem-se provar e gozar de sua Presença é preciso recolher-se e meditar, e ainda assim as meditações não se baseiam na Comunhão não lhes proporcionarão verdadeira felicidade, e lhes deixarão sempre sentir os sacrifícios sem número que ocasionaram. Jesus Cristo reservou-se para Si o privilégio de lhes fazer gozar verdadeiras alegrias. E a alma que raras vezes comunga, não permite a Deus nela permanecer eficazmente. Aquela, porém, que o recebe frequentemente e mais e permanece mais tempo em sua presença; vendo-o, contemplando-o à vontade, acabará por conhecê-Lo bem e, conhecendo-o, Nele se alegrará.

Na Comunhão gozamos de Nosso Senhor em si; Jesus se manifesta mais intimamente a nós, mantemos com ele relações íntimas, que nos levam ao conhecimento real e aprofundado do que Ele é. A fé luz; a Comunhão, luz e sentimento.

Esta manifestação de Jesus pela Comunhão, abrindo-nos o espírito, comunica—lhe uma aptidão especial para penetrar cada vez mais e mais as coisas divinas. Assim como Deus dá aos Eleitos o poder de contemplar, sem deslumbramento, a sua Essência e Majestade, assim também Jesus aumenta-nos o poder de compreensão ao ponto de ser imensa a diferença, numa mesma pessoa, antes e depois de comungar. A criança, ainda por fazer a primeira Comunhão, percebe a palavra e o sentido literal do seu Catecismo, mas depois de fazê-la, passando seu espírito por uma transformação, compreendendo e sentindo, tem uma avidez de conhecer melhor a Jesus Cristo. Podem contar-lhes todas as Verdades e a encontrará forte e disposto a ouvi-la. 

Com explicar semelhante fenômeno? Antes da Comunhão, falavam-lhe de Jesus Cristo que já conheciam na sua Cruz, nas suas dores, e isso, na verdade, lhes emociona, lhes enternece. Mas, quanto mais comovida fica a sua alma depois da Comunhão, ah! Como há de comover-se a sua alma, que pela melhor compreensão  do Mistério, se torna insaciável. Antes da Comunhão contemplava a Jesus de fora; agora contempla o de dentro, com os seus próprios olhos!

É o mistério de Emaús que se renova. Jesus Cristo, ao caminhar, instruía os dois discípulos, explicava-lhes as Sagradas Escrituras; sua Fé, porém, permanecia vacilante, embora sentissem certa emoção secreta. Mas ao participar da Fração do Pão, abriram-se lhes os olhos, dilataram sê-lhes o Coração. A voz de Jesus não bastara para manifestar-lhes sua Presença. Precisavam sentir-lhe o Coração, nutrir-se do verdadeiro Pão da Inteligência! 

São Pedro Julião Eymard




domingo, 29 de julho de 2012

Mês Vocaional


Estamos prestes a iniciar o mês de agosto, dedicado especialmente em nossa Igreja pelas vocações.

O mês vocacional tem sua origem logo após o Concílio Vaticano II. Com o objetivo de despertar a consciência das comunidades para a co-responsabilidade, num período de crise das vocações de especial consagração. 
Em 1970 surgia a primeira experiência do mês vocacional no Brasil. Esta iniciativa deu certo e, em 1981, a Assembléia Geral da CNBB instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil.

Vale a pena recordar o que celebramos no mês de agosto: no primeiro domingo destacamos o dia do padre, a motivação é a festa de S. João Maria Vianey, lembrada no dia 04 de agosto, padroeiro dos párocos. 
No segundo domingo celebramos o dia dos pais, recordamos, então, o chamado a gerar vida, a continuar com a obra criadora de Deus. Ser pai e ser mãe, constituir família, assumir um estado de vida na Igreja. 
Motivados pela festa da Assunção de Maria, modelo de todos aqueles que dizem sim, celebramos no terceiro domingo a vocação religiosa. São recordadas aqui a vocação religiosa feminina e masculina. 
No quarto domingo recordamos todos os ministérios leigos e, no quinto domingo a vocação dos catequistas. 
Coloquemo-nos em oração por todos os jovens, para que Deus continue suscitando em seus corações este ardente desejo de se doar inteiramente a causa do reino.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Biografia de São Pedro Julião Eymard

 

Fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento
Apóstolo da Eucaristia
Criador da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento
(04/02/1811 - 01/08/1868)

Em 1804, apareceu no vilarejo de La Mure um amolador de objetos, acompanhado de sua filha de cinco anos de idade, órfã de mãe, que perguntava de casa em casa se havia utensílios para serem afiados por seu pai.

Este tinha por nome Julião Eymard, originário de outra localidade, Auris, onde se casara e tivera seis filhos desse casamento. Perseguido pelos "patriotas" da Revolução Francesa, perdeu boa parte de seu patrimônio. Com a morte da esposa, em 1804, resolveu tentar a sorte noutro lugar.

Deixou então cinco filhos com pessoas amigas e saiu à procura de sustento, levando apenas a caçula. O espírito de solidariedade católica, que ainda havia em La Mure, facilitou o estabelecimento de Julião naquele local, onde prosperou e contraiu novas núpcias.

De seu segundo casamento, nasceu Pedro Julião Eymard em 4 de fevereiro de 1811.

Com o correr dos anos, o menino mostrou-se inteligente e jeitoso, tornando-se a grande esperança do pai para fazer prosperar o negócio que havia montado naquela localidade: uma usina de azeite.

O conquistador de almas para Deus

O menino, porém, sentia que era chamado para algo de bem mais elevado do que ser fabricante de azeite. Após várias dificuldades postas pelo pai, conseguiu entrar no seminário para seguir o que sua vocação lhe pedia: tornar-se sacerdote.

Após ordenar-se, celebrou sua primeira Missa em 26 de outubro de 1834.

O novo sacerdote cativava as almas. Após o ofício divino, saía com os fiéis e ficava em frente à igreja, conversando com eles e os instruindo. Operavam-se então conversões impressionantes.

Em 1839 decidiu entrar na Sociedade de Maria para desenvolver cada vez mais sua devoção à Sagrada Eucaristia, a paixão de sua vida. Sua irmã -- aquela menininha que percorria as casas pedindo trabalhos -- insistiu com ele para que ficasse mais um dia em casa, antes de partir para seu novo destino. "Deus me chama hoje, amanhã poderá ser tarde demais" foi a resposta. E seguiu em frente.

Nessa época a todos impressionava sua piedade profunda e terna, enquanto no seu caminhar havia algo de harmonioso que lhe conferia um aspecto militar.

Pregava a Eucaristia e somente a Eucaristia. Porém o fazia de maneira pessoal, concreta e viva, sem muitas especulações meramente teóricas e abstratas. Sua pregação tocava de modo especial as necessidades espirituais de seus ouvintes. Sua palavra de fogo esclarecia, abrasava e ganhava as almas. Seus sermões eram verdadeiras meditações íntimas que lhe saíam pelos lábios, expressão de sua intensa vida interior.

Sua alma era de tal maneira luminosa, que pessoas das mais diversas condições sociais e econômicas, bem como das mais distintas profissões, vinham lhe pedir luzes fora e dentro do confessionário.

"Fogo" eucarístico nos quatro cantos da França

Certo dia, em 1853, durante a ação de graças, por solicitação de Nosso Senhor, ele se ofereceu por inteiro a Deus, recebendo então muitas graças, consolações e forças para realizar a tarefa que lhe estava destinada.

Seis anos mais tarde, confidenciou que naquela ocasião prometera a Deus que nada o reteria, mesmo que precisasse comer pedras e morrer em um hospital, trabalhando em Sua obra sem consolações humanas.

Era o primeiro passo para a fundação de seu Instituto, dedicado à adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. As dificuldades fizeram-no soltar essa exclamação: "Chego como um soldado do campo de batalha, não se achando vitorioso, mas cansado e esgotado pelo combate".


E anunciou ao Arcebispo de Paris que queria pôr fogo nos quatro cantos da França, e especialmente em Paris, com a comunhão dos adultos.

Santo Cura d'Ars profetiza sobre São Pedro Julião!

O Pe. Eymard e o Cura d'Ars se conheciam e se tornaram verdadeiros amigos em Nosso Senhor Jesus Cristo, cada um procurando estar a par das atividades do outro.

O Cura d'Ars teria mesmo profetizado que o Pe. Eymard sofreria muito, inclusive perseguições de seus melhores amigos. Mas que a congregação por ele fundada seria próspera e se espalharia por todos os países, apesar de tudo e contra todos...

De fato, na obra recém-fundada continuava faltando quase tudo e as deserções começavam. O fundador tornou-se objeto de críticas e perseguições. Escreveram-lhe cartas extremamente mortificantes, profetizando quedas e catástrofes. Como se isso não bastasse apareceu uma ameaça de despejo. Obrigado a se afastar por cinco semanas para tratar da saúde, encontrou a casa com menos gente e com traidores.

Em Roma: êxtase e aprovação de sua obra

Tinha um culto entusiasmado pelo Papado. E não foi sem emoção que se dirigiu a Roma para pedir a aprovação de sua obra, o Instituto do Santíssimo Sacramento.

Uma feliz coincidência facilitou as coisas. Estava orando no altar da Confissão, na Basílica de São Pedro, quando entrou em êxtase e não percebeu um cortejo que se aproximava. Era Pio IX, que ia rezar ali também. Os numerosos fiéis que se encontravam no local, se afastaram para dar passagem ao Papa, ficando somente um padre austero ajoelhado. Quando voltou a si, todo confuso, refugiou-se em um canto; o Papa acabara de se retirar.

No dia seguinte recebeu o Breve Laudatório, assinado na véspera pelo Sumo Pontífice!

Desejava ter a voz do trovão

Sua palavra era um fogo de caridade e de fé. Havia um tal brilho de santidade em seu olhar, que se pensava em Nosso Senhor. Mesmo antes de começar a falar, já tocava as almas pela sua simples presença. Mais do que a fé, era quase a visão real do Divino Mestre que ele imprimia nas almas. Parecia ver o que falava.

Quanta vida, quanta luz! Seus ouvintes mantinham o olhar fixo na sua pessoa durante toda a pregação. Diz-se que ele desejava ter a voz do trovão para ser entendido por toda parte e por todos.

Traçava, para cada sermão, os limites, as divisões e o encaminhamento do raciocínio, mas... na hora entrava a palavra e a inspiração do coração. Preparava suas homilias diante do Sacrário pois, segundo ele, uma hora na presença do Santíssimo Sacramento valia mais do que uma manhã de estudos nos livros.

Lia os corações, via à distância, profetizava...

Não era raro dizer a uma pessoa os pensamentos que tivera; e aconselhá-la de acordo com tal discernimento.

Certo dia, uma moça da sociedade foi procurá-lo, sem que os pais soubessem, para pedir-lhe um conselho sobre sua vocação. Ao chegar, soube que ele se encontrava em sua hora de adoração ao Santíssimo, durante a qual não costumava atender absolutamente ninguém. Resignada, dirigiu-se à igreja e o viu de costas, ajoelhado, em oração. Nesse mesmo instante Eymard levantou-se, indicando à moça o caminho do confessionário. Comentou depois que sentira que uma pessoa o procurava e tinha necessidade de ajuda.

Entre 1860 e 1868 previu várias vezes os desastres da guerra franco-prussiana e o movimento revolucionário da Comuna de Paris.

Em Saint-Julien de Tours, o Pe. Eymard deu provas de ser santo, vidente e profeta diante de um auditório que o ouvia pela tarde e pela manhã, sempre recolhido e sempre entusiasta.

Certo dia, duas horas antes da procissão de São Julião, o céu escureceu e se armou uma tempestade. O Pe. Eymard, calmo, ordenou que a procissão saísse e... surpresa! Em lugar dos raios e da chuva que já haviam começado, aparece céu azul e um grande sol! "Milagre"! Foi a palavra que aflorou a todos os lábios.

Exorcista, era perseguido pelo demônio

Muitas vezes passava as noites lutando contra o demônio. Pela manhã, no seu quarto havia móveis quebrados ou avariados e sinais em sua face. Comentava que os golpes do demônio são secos como se bate em mármore, mas a dor desaparecia com a pancada.

Em 1861, após comer parte de uma maçã oferecida por uma mulher tida como mágica, uma menina ficou possessa. A mãe, ouvindo falar de Eymard, foi procurá-lo. Este enviou uma camisa e um gorro com a medalha de São Bento, mas a menina os destroçou com seus dentes. O Padre então benzeu um pedaço de pão e o enviou à casa da menina, para que o engulisse na hora em que estaria celebrando uma missa por ela.

Quatro homens forçaram-na a engulir e ela começou a vomitar um liquido preto, cheirando a enxofre, em tal quantidade que escorreu até o chão, ficando então curada. O demônio foi derrotado duplamente, pois o pai de menina, que se encontrava afastado da religião, impressionado, confessou-se, comungou e voltou à prática religiosa.

Incompreendido pelos próprios filhos espirituais

No final de 1867 repreende os seus por não irem vê-lo com mais freqüência e mais confiança, a fim de pedir uma comunicação mais abundante do espírito da sua vocação. "Nada me perguntais. Quando eu não estiver mais aqui, ninguém terá a graça da fundação. Interrogai-me, usai mais de mim".

Em 1868 escreveu em suas notas que iria fazer parte da corte celeste, participar da bondade de Deus. Um trono lhe estava assegurado no Céu e seu nome estava inscrito no livro da vida; os Anjos e os Santos o esperavam no lugar dos Bem-aventurados e o chamavam de irmão.

Porém, para alcançar um tal píncaro é preciso não só sofrer, mas saber sofrer. Assim, seus últimos anos de vida foram repletos de sofrimentos, ocasionados estes em boa parte por seus próprios religiosos que já não tinham confiança em seu Santo Fundador. Disse ele nessa penosa conjuntura: "Eis-me aqui, Senhor, no Jardim das Oliveiras; humilhai-me, despojai-me; dai-me a cruz, contanto que me deis também o vosso amor e a vossa graça".

No dia 1º de agosto de 1868, às 14:30 hs, exalou seu último suspiro. Tinha 57 anos e meio. Morreu em sua cidade natal, La Mure, na mesma casa onde nascera. Sua congregação tinha então cinco casas na França e duas na Bélgica, com cinqüenta religiosos.

"Nosso santo morreu!" foi o grito que se ouviu nas ruas e nas casas daquela pequena localidade. A população inteira desfilou diante de seus restos mortais. As pessoas iam com as duas mãos cheias de objetos para serem tocados no corpo do Santo. Seus olhos, que não foram fechados por respeito, guardavam uma expressão extraordinária de vida a ponto de dar a falsa impressão de que não morrera.


Foi beatificado solenemente por Pio XI no dia 12 de julho de 1925 e canonizado por João XXIII em 9 de dezembro de 1962.

Novena de São Pedro Julião Eymard


Dia 02 de agosto celebramos o dia de São Pedro Julião Eymard, o Apóstolo da Eucaristia. Convidamos você e sua familia e fazer conosco sua novena, pedindo as graças e bençãos do céu, através de sua intercessão.




Graças e Louvores sejam dados a cada momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.

Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição, da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria Mãe de Deus.


I - São Pedro Julião Eymard, zelosíssimo apóstolo e ardente adorador do Santíssimo Sacramento, suplico-vos, fazei-me participar do vosso amor abrasado para com Jesus Sacramentado e do vosso zelo pela Sua divida glória. Alcançai-me também do Coração Eucarístico de Jesus, a graça que pela vossa intercessão desejo obter por meio desta novena, se for para a maior glória de Deus e o maior bem de minha alma. Amem
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.


II - São Pedro Julião Eymard, que ardeis no amor seráfico, sempre e cada vez que no santo altar oferecíeis o Cordeiro Imaculado que tira os pecados do mundo, rogo-vos com todo o fervor daminha alma, me alcanceis do Coração Eucarístico de Jesus, a graça de ser abrasado neste fogo celestial quando assisto no Santo Sacrifício da Missa. Digne-vos também me obter por vossa intercessão a graça que desejo alcançar por meio desta novena se for para a maior glória de Deus e ao maior bem de minha alma. Amém
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

III - São Pedro Julião Eymard, que com vossa palavra cheia de ardor e vossos admiráveis escritos, leváveis as almas a se aproximarem digna e frequentemente do Banquete Eucarístico em união com a gloriosa Mãe de Jesus, Maria Santíssima: peço-vos que alcanceis do Coração de Jesus, um zelo ardente como o vosso pela Comunhão frequente e quotidiano, a perseverança até a morte em tão santa pratica e na devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Oração Final
Rogai por nós São Pedro Julião Eymard, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Senhor Jesus, Filho de Deus vivo, que para propagar por toda a parte o culto solene ao SSmo. Sacramento da Eucaristia, suscitastes de um modo admirável São Pedro Julião Eymard e por seu intermédio dotastes a vossa Igreja com uma nova família religiosa, dignai-vos conceder-nos, que pela sua intercessão e exemplo, cheguemos a ser adoradores em espírito e verdade do Augusto Mistério e propagadores zelosos de sua glória. Vós que viveis e reinais com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém


São Pedro Julião Eymard, rogai por nós. (3 x)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A EXTENSÃO DA ENCARNAÇÃO

Verbum caro factum est
 "O Verbo se fez carne." (Jo., 1, 14.)


A encarnação do Verbo no seio de Maria nos anuncia a Eucaristia. Este sol de almas, que há de vivificar e regenerá-las, se levanta em Nazaré e chega ao meio dia na Eucaristia, que será o término do amor de Deus na terra. O grão de trigo divino foi semeado nas castas entranhas de Maria. Germinará e amadurecerá e será moído, para que com ele seja feito o pão eucarístico. A encarnação é tão uma com a Eucaristia, que as palavras de São João poderiam ser traduzidas assim: O Verbo se fez pão: Verbum caro, Verbum Panis. Todas as circunstâncias do mistério da encarnação foram gloriosas para Maria; tudo é também glorioso para nós na Comunhão, que nos faz participar da honra e da glória da Santíssima Virgem.


O prólogo do mistério da Encarnação teve lugar entre o anjo e a Virgem Santíssima. O anjo anuncia o mistério e pede o consentimento de Maria.


O anjo que nos chama à Comunhão é o Sacerdote, é a Igreja mediante seu veículo: o sacerdote. Que honra para nós! A Igreja é a rainha e os anjos a servem; é esposa, e por isso não somente anuncia, como também nos da o Verbo sacramentado. Maria acreditou naquilo que o anjo dizia, em vista do prodígio que lhe anunciava. Quanto a nós, podemos crer na Igreja sob a sua palavra. Ela é nossa mãe e nós filhos seus, e ninguém diz à mãe: Isto é pão realmente? Não está me dando uma pedra em lugar de pão? A Igreja fala, e acreditamos na sua palavra. Claro, que assim como o anjo, bem poderia dar provas de sua missão.

O anuncio da Comunhão é, pois, glorioso para nós, tal como a Encarnação foi para Maria.

São Pedro Julião Eymard

sábado, 7 de julho de 2012

Servos da Eucaristia tem novo Padre

O dia 12 de maio foi de grande jubilo para a família dos Servos da Eucaristia, Valcir lima Santos, foi ordenado pela Imposição das mãos e Oração Consecratória  de nosso bispo diocesano, Dom Sérgio Arthur Braschi. A cerimonia aconteceu na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Ponta Grossa, Paraná, acompanhada por diversos fiéis e em especial por sua mãe e seu irmão, vindos especialmente de Rondônia para a ordenação.



Valcir Lima Santos, nasceu em Sinop- Mato Grosso, aos 05 de fevereiro de 1974. É o sétimo filho do casal João Batista dos Santos e Alexandrina Francisca de Lima dos Santos, de uma irmandade de catorze.
Foi batizado em 16 de junho de 1974, pelo Pe. Heitor, na paróquia São Judas Tadeu, capela Nossa Senhora Aparecida, da cidade natal; seus padrinhos são Antônio e Maria Aparecida.
Fez a Primeira Comunhão aos 12 de novembro de 1987, na paróquia São João Batista, onde também foi crismado aos 06 de novembro de 1989, por Dom. Antônio Possamai, então bispo da diocese de Ji-paraná, Rondônia.
Aos 20 de fevereiro de 1997, ingressou na Sociedade dos Servos da Eucaristia, em Ponta- Paraná, onde permanece até hoje.
Nesta cidade, fez o ensino Fundamental e o Médio. Concluídos tais estudos. No ano 2004 recebeu a Vestição e fez o Noviciado em sua Congregação, durante os dois anos seguintes.
Terminada mais esta etapa, emitiu os Primeiros Votos Temporários de Castidade, Obediência e Pobreza, aos 29 de janeiro de 2006.
Em seguida, foi enviado para Anápolis-Goiás, a fim de cursar Filosofia e Teologia, no Institutum Sapientiae, dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, de 2006 a 2011. Residindo no Seminário Diocesano Imaculado Coração de Maria.
Emitiu os Votos Perpétuos dos Conselhos Evangélicos aos 28 de janeiro de 2010, na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Ponta Grossa – Paraná; recebendo-os o reverendo Pe. Paulo Antônio de Araújo, superior Geral dos Servos da Eucaristia.
Foi instituído nos ministério de Leitor, em 03 de novembro de 2010 na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro por Dom Sérgio Braschi, e em 13 de fevereiro de 2011 recebeu o ministério de Acólito, no Seminário Eucarístico por Pe. Paulo Antônio de Araújo, superior Geral da Sociedade dos Servos da Eucaristia.
Valcir Lima Santos foi ordenado Diácono da Santa Igreja dia 04 de dezembro de 2011, em Anápolis-GO. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Santo Sacrifício


                                          
Tendo Jesus substituído todos os sacrifícios da antiga lei pelo sacrifício da Missa, encerrou neste todas as intenções e todos os frutos daqueles do passado.
Conforme as leis recebidas de Deus, os judeus ofereciam sacrifícios com quatro  finalidades: para reconhecer o seu supremo domínio sobre todas as criaturas; para agradecer-lhe os seus dons; para suplicar-lhe para que seguisse concedendo-lhes os  mesmos e para aplacar a sua ira provocada pelos pecados cometidos. Tudo isso Jesus o faz, e de um modo mais perfeito, pois em lugar de touros e carneiros se oferece Ele mesmo, filho de Deus e Deus como seu Pai.
Adora, portanto, ao seu Pai; por todos os homens, cujo primogênito é, reconhece que Dele vem toda a vida e todo o bem; que somente Ele merece viver, e tudo quanto é somente por Ele pode existir; e oferece a sua vida para protestar, já que tudo provem de Deus, de tudo Ele pode dispor livre e absolutamente.
Como Hóstia de celebração, dá graças ao seu Pai por todas as graças que Lhe concedeu e, através Dele, a todos os homens; se faz nossa perpétua ação de graças.
É vítima do sacrifício, pedindo perdão sem cessar pelos pecados que continuamente se renovam, e deseja associar ao homem a sua própria reparação, unindo-lhe na oferenda. Finalmente, é o nosso advogado, que intercede por nós com lágrimas e gemidos dilacerantes, e cujo sangue clama por misericórdia.


Assistir à Santa Missa é unir-se a Jesus Cristo; é, portanto, para nós o ato mais edificante.
Nela recebemos as graças do arrependimento e da justificativa, assim como a ajuda para evitar as recaídas.
Nela encontramos o soberano meio de praticar a caridade para com os demais, aplicando-lhes, já não os nossos escassos méritos, mas os infinitos de Jesus Cristo, as imensas riquezas que Ele põe a nossa disposição. Nela defendemos com eficiência a causa das almas do purgatório e conseguimos a conversão dos pecadores.
A Missa é para o céu inteiro um motivo de alegria produzindo um aumento de glória exterior nos santos.

O melhor meio de assistir a Santa Missa é nos unirmos a angustia da vítima. Façam como ela. Ofereçam-se como ela, com a mesma intenção que ela, e a sua oferenda será assim enobrecida e purificada, sendo digna de que Deus a olhe com complacência, principalmente quando esta se une a oferenda de Jesus Cristo. Caminhem ao Calvário assim como Jesus Cristo caminhou, meditando sobre as circunstâncias de sua paixão e morte.

    Mas, acima de tudo, unam-se ao sacrifício, comendo junto com o sacerdote a sua parte da vítima. Assim a Missa alcança a sua plenitude e corresponde plenamente aos desígnios de Jesus Cristo.

Ah! Se as almas do purgatório pudessem voltar a este mundo, o que não fariam para assistir a uma só missa! Se vocês mesmos pudessem compreender a sua excelência, suas vantagens e seus frutos, não deixariam de participar dela um só dia.

São Pedro Julião Eymard

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mês do Sagrado Coração de Jesus




Estamos no mês de junho, mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.

São Pedro Julião Eymard, Apóstolo da Adoração Eucarística, era especial devoto do Sagrado Coração de Jesus, escrevendo várias meditações durante sua vida de adoração, sentindo este Coração de forma muito visível no Santíssimo Sacramento. Atrás de seus escritos, busquei transcrever, aquilo que mais me chamou atenção, mediante tão bonita devoção do Santo.

Nós homens, fomos criados para conhecer, amar e servir a Deus e esperar gozar de toda a plenitude de graças no Céu. Ora, esse “amor” é fruto da Devoção do Sagrado Coração de Jesus, vivenciado e amado no Santíssimo Sacramento.

Estando no centro do corpo, o coração é como um rei no centro de seus domínios. Fonte de onde emana o sangue, que corre pelas nossas veias e nós dá a vida. E, se tratando da vida do coração do homem, quanto o diremos do Homem-Deus que é o Senhor da vida. Coração divino que merece as orações, homenagens, as adorações oferecidas ao próprio Deus.

No dizer dos filósofos, o coração é o foco do amor: “Assim como ao fogo é natural arder, assim também ao coração é natural amar. E por ser este no homem o principal órgão do sentimento, convém que o ato imposto pelo primeiro de todos os preceitos se torne sensível ao coração” (São Tomás de Aquino)

Falando desse amor, São Pedro Julião Eymard, compara o Coração de Jesus a uma grande fornalha ardente, de amor por Deus e por nós. Fornalha que sofreu tudo por amor, merecendo a mais leve gota de seu sangue, as adorações do céu e da terra. Sua nobreza nas funções que exerceu, sua perfeição nos sentimentos que produz e suas ações que sabem inspirar, toda a sua vida é baseada em seu venerável Coração. Se Jesus nasceu em um presépio e se viveu pobre em Nazaré, se morreu por nós, tudo se deve a essa Fornalha de Amor.

Portanto, o adorador do Santíssimo Sacramento, encontrará também na Eucaristia o Coração de Jesus, testemunho sensível e permanente do amor, e no seu Coração Eucarístico aprenderá a amar.

Jesus Cristo, desejando ser sempre amado pelo homem, continua a testemunhar e manifestar seu Amor sensível e humanizado. Sendo a lei de amor uma Lei perene, também será perene o sol de graças que irradiam de seu Coração, para nos aquecer e nos tornar novas fornalhas de amor.

Pois bem! Todo o Amor de Nosso Senhor, todo o amor de sua vida - amor infantil em Belém, amor de zelo e de apostolo de Pai, amor de vitima na cruz – todos se unem para triunfar ao seu Coração Glorioso e vivo no Santíssimo Sacramento, onde o devemos buscar, invocar e nutrir-nos de seu Amor Divino, que permanece na Eucaristia somente para nós.

Deste modo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, deve ser toda centrada na Divina Eucaristia. Imaginemos que todas as suas palavras e atitudes – curas e milagres – não tinham outra fonte se não do seu Coração, coração esse que amou incondicionalmente e que continua amando, curando, falando e agindo na Eucaristia. Seu Coração esta ai, como na Cruz, aberto de amor pela lança, lançando até nós toda a água e todo o sangue, todas as graças e benção de amor sobre nossas vidas.

Não vemos o coração de quem amamos ou de um amigo, mas basta uma só palavra para manifestar seu amor. Que será então do Coração Divino de Jesus, na qual sentimos seu amor? É certo que não vemos seu Coração, pois, quem poderia suportar o brilho da Sua Glória, a beleza, a bondade, as chamas consumidoras, devoradoras dessa Fornalha de Amor?

“Se não nos é dado ver o Coração Eucarístico de Jesus, é nos dado possuí-lo, sendo totalmente nosso” (São Pedro Julião Eymard)

É ante o Santíssimo Sacramento que devemos tomar posse, honrando e adorando, pois aí encontraremos a plenitude de seu Amor.

No momento da adoração, relembramos quão grande foram às dores do Coração de Jesus, quantas humilhações, calúnias, opressões e desprezos. E na vida velada no Santíssimo, será que seu coração não continua a chorar? Pois são tão numerosos cristãos que desprezam a Jesus, a essa Fornalha que queima de amor por eles, utilizando do véu que oculta para melhor desprezá-lo. Quantos Caifás, Herodes, Pilatos insultam-no pelas irreverências, pelos pensamentos culpados, pelos olhares criminosos diante de Sua presença. Blasfemam sacrilegamente contra o Deus da Eucaristia, por saber que seu Amor o torna mudo. Crucificam-no até em sua alma culpada, comungando-o.

“Não, Jesus nunca passou, nos dias de Sua Paixão, por tantas humilhações como em seu Sacramento” (São Pedro Julião Eymard)

Por isso, a reparação amorosa para com o Coração adorável de Jesus, torna-se necessária. Cerquemos a Eucaristia com nossas adorações e com nosso amor. Façamos de nosso coração, semelhante ao de Jesus, abrasando-o com as brasas da Fornalha de Amor. Sirvamos e imitemos o seu Coração na caridade para com nossos irmãos e na vivencia da nossa fé.

De quantas coisas poderíamos tratar aqui, mas acho que o essencial é deixarmos nos amar pelo Amor, viver do calor dessa Fornalha e caminhar para a santidade.

Insidiemos esse mês de junho de um amor imenso e peçamos juntos: Jesus manso e humilde de coração, fazei do nosso coração semelhante ao vosso.

Ir. Sérgio Rocha SSE

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eucaristia Presença de Jesus Cristo

"A Eucaristia é o sacramento em que, sob as espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está verdadeiramente real e substancialmente presente, com Seu Corpo, Seu Sangue, a Sua Alma e a Sua Divindade, para o nosso alimento espiritual. É por isso o mais sublime de todos os sacramentos, aquele de onde emanam e para onde convergem todos os outros, o centro da vida litúrgica, expressão e alimento da vida cristã" (CIC 1324 e 1326).

A Presença real do Corpo e Sangue de Cristo no nosso interior realiza um grande milagre, porque, ao invés de acontecer o processo natural do pão que é transformado em nós, acontece exatamente o contrário, somos nós que nos transformamos nesse pão, que é o próprio Jesus. A Eucaristia foi instituída por Jesus na Ceia pascal, prescrita pela lei hebraica, que Ele celebrou com os apóstolos na noite do dia anterior à sua morte (Mt 26,26-28).

A Eucaristia é o próprio Corpo de Cristo e nós somos, pelo nosso batismo, seu corpo místico, ao ser este corpo apresentado ao Pai em sacrifício, nós também estamos sendo oferecidos, com Jesus, ao Pai em sacrifício por toda a humanidade.

Por sua grande riqueza vamos nos demorar um pouco mais na contemplação de tão grande mistério. Veremos o sacramento da Eucaristia em duas dimensões. A primeira na mesma dimensão do que se vinha falando de sacramento e, a Segunda sobre a Eucaristia como sacrifício. Ela é sacrifício porque é oferecida e sacramento enquanto recebida.

"A Eucaristia é fonte e ápice de toda a vida cristã. Ela é o próprio Cristo e por isso contém todo o bem espiritual da Igreja" (CAT 1324).
Na Eucaristia antecipamos a vida eterna onde Cristo é tudo em todos.
A palavra Eucaristia quer dizer em primeiro lugar ação de graças a Deus.
Neste sacramento, nas espécies de pão e vinho, Jesus Cristo está verdadeiramente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

O sacrifício de Melquisedec e o sacrifício do Cordeiro pascal são prefigurações da Eucaristia no Antigo Testamento.
Neste sacramento não se comunica uma graça, mas é o próprio Cristo que se dá a nós. Daí a sua supremacia sobre os outros sacramentos, além do que todos os outros visam um melhor recebimento da Eucaristia.
As Sagradas Escrituras deixam claro, como em nenhum outro sacramento, o momento da instituição da Eucaristia por Jesus. Os Evangelhos sinóticos relatam a última ceia e o momento preciso da instituição quando Jesus toma o pão e o vinho, os abençoa e entrega aos discípulos lhes dizendo que são o Seu Corpo e o Seu Sangue.

Para que este ato se perpetuasse e se atualizasse a cada dia o Senhor em sua bondade deu-nos sacerdotes da Nova Aliança. Após as palavras do sacerdote na consagração, que são as mesmas de Jesus, já está ali o próprio Cristo. Imenso mistério! Diante dos nossos olhos, o Deus Infinito faz-se pequeno em um simples pedaço de pão e em um pouco de vinho. O maior dos milagres!!!
Só o sacerdote pode consagrar o pão e o vinho, ele é o ministro da Eucaristia. Qualquer batizado em estado de graça pode receber, mesmo que seja criança.

Os frutos que a Eucaristia produzem em nós são grandiosos. Por este sacramento entramos em união íntima com Jesus. Essa é a maior graça. Por si mesma a Eucaristia produz o aumento da graça santificante, a alma vai sendo transformada em Cristo. Além disso, ao receber a Eucaristia recebemos a graça sacramental específica, ou seja, tudo o que o alimento produz com relação a vida do corpo, assim o faz a Eucaristia com relação a vida da alma. Este sacramento ainda nos traz o perdão dos pecados veniais, que enfraquecem a alma, e nos preserva dos pecados mortais. E cada comunhão fortalece a incorporação na Igreja, Corpo de Cristo, realizada no Batismo.

A presença real de Jesus Cristo na Eucaristia

Como no Céu está vivo e glorioso, de modo natural na Eucaristia está igualmente presente, mas de modo sacramental. Por isso, se diz que por concomitância, com o Corpo de Jesus está também o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade, e de igual modo, onde está o seu Sangue, está também o seu Corpo, a sua Alma e a sua Divindade. A fé na presença real, verdadeira e substancial de Cristo na Eucaristia assegura-nos pois, que ali está o mesmo Jesus que nasceu da Virgem Santíssima, que viveu ocultamente em Nazaré trinta anos, que pregou e se preocupou com todos os homens durante a vida pública, morreu na cruz e, depois de ter ressuscitado e subido aos Céus, está sentado à direita do Pai.

Cristo está em todas as hóstias consagradas e em cada partícula delas: A presença real de Cristo na Eucaristia é um dos principais dogmas de nossa fé católica. Sendo verdade de fé que ultrapassa completamente a ordem natural, a razão humana não a consegue demonstrar por si.
A verdade da Presença real e substancial de Jesus na Eucaristia foi por Ele próprio revelada durante o discurso que pronunciou em Cafarnaum (Jo 6,51-56).

O modo da presença real

A presença real de Cristo na Eucaristia é um mistério que a razão não é capaz de alcançar. Porém, o Magistério da Igreja ensina-nos que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia se produz uma singular e maravilhosa conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho no seu Sangue, conversão em que a Igreja Católica denomina de transubstanciação (Concílio de Trento).

A transubstanciação acontece em virtude da onipotência divina, no momento em que o sacerdote pronuncia sobre a matéria (pão e vinho) as palavras de forma (palavras da consagração) de maneira que, depois de terminar, já não existem nem a substância do pão nem a substância do vinho (só os seus acidentes ou aparências externas). (CAT 1373 a 1377).

O Senhor Jesus está presente no meio dos fiéis quando estes se reúnem em seu nome (Mt 18,20); está também presente na pregação da Palavra de Deus, pois, quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura, é Ele quem fala; igualmente está presente nos Sacramentos, visto que estes são ações de Cristo. No entanto, a presença de Jesus na Eucaristia é de outra ordem; denomina-se "real" para mostrar que é diferente desses outros modos acima mencionados. Chama-se real não por exclusão, como se as outras presenças de Cristo (na oração, Palavra e nos outros Sacramentos) não fossem reais, mas sim porque se trata de uma presença substancial: por ela se torna presente Cristo, Deus e Homem, inteiro e íntegro. Portanto, é entender mal este modo de presença, imaginá-la à maneira espiritual, como se fosse corpo glorioso de Cristo em toda parte presente, ou se reduzisse a mero simbolismo.

Debaixo das espécies sacramentais, e de cada uma de suas partículas quando se fracionam, está contido Jesus Cristo inteiro com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Como Cristo está presente na Hóstia consagrada por transubstanciação do pão e do vinho onde e quer que houvesse substância de pão (ou vinho) há agora a substância do Corpo e do Sangue de Cristo. Jesus Cristo está presente ao modo da substância que está toda inteira em cada parte do lugar. (Ex.a substância da água encontra-se toda inteira tanto numa gota como no oceano; a substância do pão está presente tanto numa migalha de pão como no pão inteiro) por isso, quando se divide a Hóstia, está todo o Cristo em cada fragmento dela.

Sob a espécie do pão não está apenas o corpo de Cristo, nem unicamente o seu Sangue sob as aparências do vinho: em cada uma das espécies encontra-se Cristo inteiro. Onde está o Corpo, está, por, concomitância, o Sangue, a Alma e a Divindade; onde está o Sangue igualmente por concomitância se encontra o Corpo, a Alma e a Divindade. Jesus está presente na eucaristia com a natureza humana (Corpo, Sangue e Alma) e com a natureza divina (Divindade). A Alma e a Divindade estão ali presentes devido a união hipostática que se dá na pessoa de Cristo entre a sua natureza humana e a sua natureza divina. "O Corpo e o sangue estão por meio da conversão, e a Alma e a Divindade por real concomitância (S.Tomás).
Louvemos e adoremos Aquele que É! Deveríamos correr aos sacrários e lotar as missas, já que cremos que é o Cristo o mesmo que viveu em Nazaré há 2000 anos, o que nasceu da Virgem Maria.

Santo Afonso nos diz que precisamos ter disposições convenientes para comungar e nos cita estas: Estar em estado de graça, querer ser santo, desejar crescer no amor a Jesus, fazer meditação freqüente, mortificar os sentidos e as paixões, fazer a ação de graças após a comunhão e querer ser de Deus.

Se desejamos crescer na vida espiritual, precisamos nos aproximar assiduamente, com o coração preparado devidamente, da mesa do Senhor. Devemos ter a consciência bem formada quanto à importância fundamental que tem a celebração eucarística (missa) em nossas vidas, porque por ela recebemos o pão da vida pela Palavra divina e pela Eucaristia.
Também devemos alimentar em nós um desejo ardente de adorarmos o Santíssimo Sacramento em todas as oportunidades que surgirem e que devemos promover em nossas vidas, pois estaremos diante do Deus vivo que muito nos ama. É algo maravilhoso que podem testemunhar todas as pessoas que dele se aproximam.
Podemos conversar com Ele, dar-nos a Ele. Aproveitemos a comunhão para aprofundar nossa amizade, com tão doce Amigo que sempre vem nos visitar mesmo se a casa está um pouco desarrumada. Ele deseja a nossa presença, por isso vem nos transformar n'Ele nos dando da Sua vida.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta-feira Santa

A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João comtemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a comtemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloqüente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.

A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.

A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria comtempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus. Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.

O soldado que traspassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um últmo, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.

A Celebração

Hoje não se celebra a missa em todo o mundo. O altar é iluminado sem mantel, sem cruz, sem velas nem adornos. Recordamos a morte de Jesus. Os ministros se prostram no chão frente ao altar no começo da cerimônia. São a imagem da humanidade rebaixada e oprimida, e ao mesmo tempo penitente que implora perdão por seus pecados.

Vão vestidos de vermelho, a cor dos mártires: de Jesus, o primeiro testeunho do amor do Pai e de todos aqueles que, como ele, deram e continuam dando sua vida para proclamar a libertação que Deus nos oferece.

Ação litúrgica na Morte do Senhor

1. A ENTRADA

A impressionante celebração litúrgica da Sexta-feira começa com um rito de entrada diferente de outros dias: os ministros entram em silëncio, sem canto, vestidos de cor vermelha, a cor do sangue, do martírio, se prostram no chão, enquanto a comunidade se ajoelha, e depois de um espaço de silêncio, reza a oração do dia.

2. Celebração da Palavra

Primeira Leitura
Espetacular realismo nesta profecia feita 800 anos antes de Cristo, chamada por muitos o 5º Evangelho. Que nos introduz a alma sofredora de Cristo, durante toda sua vida e agora na hora real de sua morte. Disponhamo-nos a vivê-la com Ele.

Leitura do Profeta Isaías 52, 13 ; 53

Eis que meu Servo há de prosperar, ele se elevará, será exaltado, será posto nas alturas.
Exatamente como multidões ficaram pasmadas à vista dele - tão desfigurado estava seu aspecto e a sua forma não parecia a de um homem - assim agora nações numerosas ficarão estupefactas a seu respeito,reis permanecerão silenciosos, ao verem coisas que não lhes haviam sido contadas e ao tomarem consciência de coisas que não tinham ouvido.

Quem creu naquilo que ouvimos, e a quem se revelou o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um renovo, como raiz que brota de uma terra seca; não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar.

Era desprezado e abandonado pelos homens, um homem sujeito à dor, familiarizado com a enfermidade, como uma pessoa de quem todos escondem o rosto; desprezado, não fazíamos nenhum caso dele.
E no entanto, era as nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava.
Mas nós o tinhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado.

Mas ele foi trespassado por causa de nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas iniqüidades.

O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados.

Todos nós como ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada um o seu próprio caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como cordeiro conduzido ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença de seus tosquiadores ele não abriu a boca.

Após a detenção e julgamento, foi preso. Dentre os seus contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter ele sido cortado da terra dos vivos, de ter sido ferido pela transgressão do seu povo?

Deram sepultura com os ímpios, o seu túmulo está com os ricos, se bem que não tivesse praticado violência nem tivesse havido engano em sua boca.

Mas o Senhor quis feri-lo, submetê-lo à enfermidade. Mas, se ele oferece a sua vida como sacrifício pelo pecado, certamente verá uma descendência, prolongará os seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus há de triunfar.
Após o trabalho fatigante de sua alma ele verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu Servo, justificará a muitos e levará sbre si as suas transgressões.
Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões; com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou sua alma à morte e foi contado com os transgressores, mas na verdade levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores fez intercessão.

Palavra do Senhor

Salmo responsorial

Neste Salmo, recitado por Jesus na cruz, entrecruzam-se a confiança, a dor, a solidão e a súplica: com o Homem das dores, façamos nossa oração.

Sl 30, 2 e 6. 12-13. 15-16. 17 e 25.
Senhor, em tuas mãos eu entrego meu espírito.

Senhor, eu me abrigo em ti: que eu nunca fique envergonhado; Salva-me por sua justiça. Leberta-me . em tuas mãos eu entrego meu espírito, é tu quem me resgatas, Senhor.

Pelos opressores todos que tenho já me tornei um escândalo; para meus vizinhos, um asco, e terror para meus amigos. Os que me vêem na rua fogem para longe de mim; fui esquecido, como um morto aos corações, estou como um objeto perdido.

Quanto a mim, Senhor, confio em ti, e digo: " tú és o meu Deus!". Meus tempos etão em tua mão: liberta-me da mão dos meus inimigos e perseguidores. Faze brilhar tua face sobre o teu servo, salva-me por teu amor. Sede firmes, fortalecei vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.

Segunda leitura
O Sacerdote é o que une Deus ao homem e os homens a Deus… Por isso Cristo é o perfeito Sacerdote: Deus e Homem. O Único e Sumo e Eterno Sacerdote. Do qual o Sacerdócio: o Papa, os Bispos, os sacerdotes e dos Diáconos unidos a Ele, são ministros, servidores, ajudantes…

Leitura da Carta aos Hebreus 4,14-16; 5,7-9.

Temos, portanto, um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus: Jesus, o Filho de Deus. Permaneçamos, por isso, firmes na profissão de fé. Com efeito, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos, então, com segurança do trono da graça para conseguirmos misericórdia e alcançarmos graça, como ajuda oportuna.

É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão. Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado à perfeição, se tornou para todos os que lhe obedeceram princípio da salvação eterna.

Palavra do Senhor.

Versículo antes o Evangelho (Fl 2, 8-9)

Cristo, por nós, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o sobreexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é acima de todo nome.

Como sempre, a celebração da Palavra, depois da homilia conclui-se com uma ORAÇÃO UNIVERSAL, que hoje tem mais sentido do que nunca: precisamente porque comtemplamos a Cristo entregue na cruz como Redentor da humanidade, pedimos a Deus a salvação de todos, crentes e não crentes.

3. Adoração da Cruz

Depois das palavras passamos a um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da Santa Cruz é apresentada solenemente a Cruz à comunidade, cantando três vezes a aclamação:

"Eis o lenho da Cruz, onde esteve pregada a salvação do mundo. Ó VINDE ADOREMOS", e todos ajoelhados uns instantes de cada vez, e então vamos, em procissão, venerar a Cruz pessoalmente, com um genuflexão (ou inclinação profunda) e um beijo (ou tocando-a com a mão e fazendo o sinal da cruz ); enquanto cantamos os louvores ao Cristo na Cruz :

4. A comunhão

Desde de 1955, quando Pio XII decidiu, na reforma que fez na Semana Santa, não somente o sacerdote - como até então - mas também os fiéis podem comungar com o Corpo de Cristo.

Ainda que hoje não haja propriamente Eucaristia, mas comungando do Pão consagrado na celebração de ontem, Quinta-feira Santa, expressamos nossa participação na morte salvadora de Cristo, recebendo seu "Corpo entregue por nós".