sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A COMUNHÃO, ALEGRIA DO ESPÍRITO.

“Et exsultavit spiritus meus inDeo salutari meo”

 “Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.”
(Luc, 1, 47.)

Deus querendo nutrir nosso espírito deu-nos o Pão Divino. É a Eucaristia anunciada pelas Sagradas Escrituras: “Nutrir-lhes-ei com o Pão da Vida e da Inteligência”.

Ora, não há na terra alegrias maiores que às do espírito. O contentamento do coração é mais passageiro, por apoiar-se no sentimento, sujeito que é a alterações frequentes. A verdadeira alegria é a do espírito, que consiste no conhecimento sereno da verdade.

As almas grosseiras e aos espíritos levianos nada regozijarão espiritualmente. As almas piedosas, mas não recolhidas, tampouco sentirão verdadeiro gozo espiritual. O grande obstáculo ao reinado de Deus na alma é o espírito leviano. Querem-se provar e gozar de sua Presença é preciso recolher-se e meditar, e ainda assim as meditações não se baseiam na Comunhão não lhes proporcionarão verdadeira felicidade, e lhes deixarão sempre sentir os sacrifícios sem número que ocasionaram. Jesus Cristo reservou-se para Si o privilégio de lhes fazer gozar verdadeiras alegrias. E a alma que raras vezes comunga, não permite a Deus nela permanecer eficazmente. Aquela, porém, que o recebe frequentemente e mais e permanece mais tempo em sua presença; vendo-o, contemplando-o à vontade, acabará por conhecê-Lo bem e, conhecendo-o, Nele se alegrará.

Na Comunhão gozamos de Nosso Senhor em si; Jesus se manifesta mais intimamente a nós, mantemos com ele relações íntimas, que nos levam ao conhecimento real e aprofundado do que Ele é. A fé luz; a Comunhão, luz e sentimento.

Esta manifestação de Jesus pela Comunhão, abrindo-nos o espírito, comunica—lhe uma aptidão especial para penetrar cada vez mais e mais as coisas divinas. Assim como Deus dá aos Eleitos o poder de contemplar, sem deslumbramento, a sua Essência e Majestade, assim também Jesus aumenta-nos o poder de compreensão ao ponto de ser imensa a diferença, numa mesma pessoa, antes e depois de comungar. A criança, ainda por fazer a primeira Comunhão, percebe a palavra e o sentido literal do seu Catecismo, mas depois de fazê-la, passando seu espírito por uma transformação, compreendendo e sentindo, tem uma avidez de conhecer melhor a Jesus Cristo. Podem contar-lhes todas as Verdades e a encontrará forte e disposto a ouvi-la. 

Com explicar semelhante fenômeno? Antes da Comunhão, falavam-lhe de Jesus Cristo que já conheciam na sua Cruz, nas suas dores, e isso, na verdade, lhes emociona, lhes enternece. Mas, quanto mais comovida fica a sua alma depois da Comunhão, ah! Como há de comover-se a sua alma, que pela melhor compreensão  do Mistério, se torna insaciável. Antes da Comunhão contemplava a Jesus de fora; agora contempla o de dentro, com os seus próprios olhos!

É o mistério de Emaús que se renova. Jesus Cristo, ao caminhar, instruía os dois discípulos, explicava-lhes as Sagradas Escrituras; sua Fé, porém, permanecia vacilante, embora sentissem certa emoção secreta. Mas ao participar da Fração do Pão, abriram-se lhes os olhos, dilataram sê-lhes o Coração. A voz de Jesus não bastara para manifestar-lhes sua Presença. Precisavam sentir-lhe o Coração, nutrir-se do verdadeiro Pão da Inteligência! 

São Pedro Julião Eymard




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